“17 milhões? Se calhar, daqui a um ano, vão dizer que foi barato. Mas posso dizer isto: em maio, oferecemos 12 milhões ao Nápoles e o presidente do Nápoles não aceitou. Entretanto, apareceram dois clubes portugueses e um inglês interessados nele. Logicamente, foram o Sporting e o FC Porto, não podem desmentir. Se calhar não tiveram foi pedalada para ele. O Benfica entendeu que devia comprar o jogador. Essa decisão até foi minha. Quando apareceu a oportunidade de comprar o Vinícius, não o quis perder e esforcei-me para comprá-lo. Ele até pode marcar poucos golos, mas se o Benfica quiser, vende e não perde dinheiro”.

No final de setembro, em entrevista à TVI, Luís Filipe Vieira justificava assim a contratação de Carlos Vinicius para o ataque dos encarnados a trocos de 17 milhões de euros, naquela que foi a terceira maior transferência de sempre dos encarnados já depois de Raúl de Tomás, avançado ex-Real Madrid (20 milhões). Até essa altura, o brasileiro tinha apenas participado em quatro jogos – falhou o arranque da temporada por lesão –, somava 42 minutos e marcara apenas um golo, na goleada com o P. Ferreira; a partir daí, mesmo sendo apenas uma vez titular (esta noite, com o Cova da Piedade), leva quatro golos em sete jogos e 189 minutos.

Contas feitas, Vinicius é de longe o avançado do Benfica com melhor rendimento nesta fase da temporada, com uma média de quase um golo por cada parte de jogo disputada (47 minutos) e juntando ainda aos remates certeiros na terceira eliminatória da Taça de Portugal mais uma assistência para o 1-0 de Pizzi em cima do intervalo, naquele que foi apenas o terceiro encontro em que marcou e fez um passe decisivo no mesmo jogo. E houve ainda um dado curioso: sucedeu a Jonas como jogador do Benfica a bisar na estreia na Taça de Portugal.

“Não coloco a segunda parte a um nível maior do que a primeira porque a equipa esteve séria nos 90 minutos. Queríamos reentrar forte. Tivemos várias oportunidades na primeira parte, com duas ou três situações de jogadores isolados, e podíamos ter marcado mais cedo. O golo acabou por surgir quando assumimos uma linha de cinco a procurar tabelas para os interiores entrarem na cara do guarda-redes. Com o segundo golo e as alterações do Cova da Piedade, não direi que as coisas ficaram mais fáceis, mas acabámos por controlar o jogo. A vitória é importante, mas mais importante foi a seriedade e o comportamento tático da equipa”, comentou no final de uma partida com pouca história Bruno Lage, técnico dos encarnados.

“Raúl de Tomás e Carlos Vinicius? As duplas são isso mesmo… Temos uma ideia do que queremos em termos coletivos e depois o que os jogadores podem trazer a nível individual. O coletivo vive da dinâmica de todos. O importante é que eles continuem a dar uma resposta como a de hoje”, acrescentou.