Era uma estatística que, à partida, jogava a favor do Benfica: em 14 jogos na Luz ao longo da história contra equipas francesas, os encarnados nunca tinham perdido. Esta quarta-feira, na hora de receber o Lyon, a estatística que apontava para o facto de a equipa de Bruno Lage ainda não ter qualquer ponto somado nesta fase de grupos da Liga dos Campeões colocava em risco a estatística anterior. No final dos 90 minutos, depois de um golo e de uma lesão de Rafa, depois de um golo e uma oportunidade de Depay, Anthony Lopes ofereceu a Pizzi o golo da vitória e o Benfica garantiu a primeira vitória nesta edição da liga milionária.

Os valiosos três pontos que deixam agora os encarnados a um ponto do Zenit e do Lyon — e que contribuíram, aliados à derrota do Zenit na Alemanha, para a subida de Portugal no ranking da UEFA –, serviram também para impôr à equipa orientada por Rudi Garcia a primeira derrota na fase de grupos da Liga dos Campeões desde outubro de 2016, há três anos, altura em que perdeu com a Juventus. Os golos de Rafa e Pizzi, marcados na mesma partida, significaram também a primeira vez que o Benfica conseguiu marcar dois golos num jogo da Champions em casa desde abril de 2016, também há três anos.

Rafa, que abriu o marcador e acabou por sair lesionado ainda durante a primeira parte, estreou-se a marcar nas competições europeias com a camisola do Benfica, já que só tinha registado golos em jogos europeus ao serviço do Sp. Braga. Já Florentino, que voltou aos onzes de Bruno Lage depois de ter estado lesionado e ter sido suplente utilizado contra o Cova da Piedade, fez o primeiro jogo de forma global na Liga dos Campeões — isto após ter sido lançado por Bruno Lage na temporada passada também nas competições europeias mas na Liga Europa. Com esta vitória, o Benfica chegou ainda às 200 vitórias a nível europeu: algo que só Barcelona, Real Madrid, Bayern Munique, Juventus, Liverpool, AC Milan e Ajax já alcançaram.

Na flash interview, Bruno Lage explicou que “a estratégia de colocar Rafa nas entrelinhas era para atacar a profundidade”. “Foi assim que chegámos ao golo. Mesmo com a saída dele não deixámos de ter duas ou três ocasiões. Fizemos uma grande primeira parte e podíamos ter conseguido outro resultado. Não me recordo de uma grande ocasião do Lyon. Antes do golo há o remate do Pizzi ao poste e depois o golo que dá os três pontos de forma merecida”, garantiu o treinador. Lage acrescentou ainda que é “indiferente” o facto de o golo da vitória ter surgido de um erro. “Seguramente também caiu do céu o golo ao Zenit [na jornada anterior] mas aí o demérito é nosso. Marcámos de forma fantástica. Se for em Inglaterra é um grande golo, é um grande golo em qualquer lado. Temos de estar preparados para isso”, concluiu o técnico.

59 anos depois da primeira vitória europeia, em setembro de 1960 contra os escoceses do Hearts — com golos de José Águas e José Augusto –, o Benfica chegou ao 200.º resultado positivo. Nessa temporada, os encarnados acabaram por conquistar a Taça dos Campeões Europeus, assim como fizeram no ano seguinte, e abriram caminho a um histórico europeu que soma 426 jogos, as 200 vitórias que alcançou esta quarta-feira com o Lyon e 13 resultados positivos contra os 17 campeões europeus que já enfrentou.