O Prémio Leya não será atribuído este ano. O anúncio foi feito durante a tarde desta terça-feira, depois de o júri ter estado reunido na sede do grupo editorial em Alfragide. O vencedor deveria ser revelado ao final da manhã desta quarta-feira.

Em comunicado, o júri, presidido pelo poeta Manuel Alegre, explicou que, “conforme previsto” no regulamento, foi deliberado, “por unanimidade, não atribuir este ano o Prémio LeYa, por entender que as obras concorrentes não correspondem aos parâmetros de qualidade literária exigidos pelo Prémio”. Uma situação semelhante aconteceu em 2016, quando também foi anunciado que o galardão não seria atribuído por considerar que “as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio Leya no âmbito das literaturas de língua portuguesa”.

Prémio Leya não será atribuído em 2016

Este ano, concorreram ao Prémio Leya 409 autores, mais 61 do que em 2018, de 14 países. À semelhança de anos anteriores, a maioria é proveniente de Portugal e Brasil, mas houve originais enviados da Alemanha, Bélgica, Cabo Verde, Itália, Moçambique e Estados Unidos da América, entre outros.

Depois de uma pequena alteração no painel de jurados devido à saída de Pepetela e dos professores e críticos literários brasileiros José Castelo e Rita Chaveso, o júri de 2019 manteve-se igual ao do ano passado. Além de Manuel Alegre, integram-no os professores Lourenço do Rosário (Moçambique), José Carlos Seabra Pereira (Portugal), o escritores Nuno Júdice (Portugal), Ana Paula Tavares (Angola), a jornalista e crítica literária Isabel Lucas (Portugal), e o editor, jornalista e tradutor Paulo Werneck (Brasil).

O Prémio Leya, no valor de 100 mil euros, foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em português. É o maior prémio para uma obra não publicada em língua portuguesa.

Itamar Vieira Junior: “A falta de educação é estruturalmente planeada pelo estado brasileiro”

No ano passado, foi atribuído ao brasileiro Itamar Vieira Júnior por Torto Arado, publicado em fevereiro deste ano pela Leya. O romance conta uma história de violência silenciosa. As personagens, trabalhadores explorados do sertão brasileiro, são descendentes de escravos que nunca deixaram de viver num contexto de escravatura, porque o Brasil nunca criou condições para eles. “Permaneceram ali, migrando de um lugar para o outro, procurando trabalho”, explicou o autor em entrevista ao Observador na Póvoa de Varzim, onde participou no festival literário Correntes d’Escritas. Explorados pelos grandes fazendeiros, a sua escravidão transformou-se numa servidão que “permanece até aos nossos dias”.