A organização não governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou esta quinta-feira que a Agência Central de Informações dos Estados Unidos (CIA) apoiou as forças militares afegãs a cometer execuções sumárias e outros abusos graves sem que tenha sido questionada.

No relatório “‘Eles mataram muitos assim’: ataques noturnos abusivos das forças militares afegãs apoiadas pela CIA”, quinta-feira divulgado, a HRW revela que esses efetivos mataram ilegalmente civis durante operações noturnas, levaram à força detidos e atacaram instalações de saúde por, alegadamente, tratarem combatentes rebeldes.

Segundo a HRW, as vítimas civis desses ataques e operações aéreas “aumentaram dramaticamente nos últimos dois anos”.

O relatório, de 50 páginas, documenta 14 casos, do final de 2017 e meados de 2019, em que as forças de ataque afegãs apoiadas pela CIA cometeram abusos graves, alguns equivalentes a crimes de guerra.

Para a HRW, os Estados Unidos devem trabalhar com o governo afegão para “desmantelar e desarmar imediatamente todas as forças paramilitares que operam fora da cadeira de comando militar comum” e “cooperar com investigações independentes de todas as alegações de crimes de guerra e outros abusos dos direitos humanos”.

“Ao intensificar as operações contra os talibãs, a CIA permitiu que forças afegãs abusivas cometessem atrocidades, incluindo execuções extrajudiciais e desaparecimentos”, alertou Patricia Gossman, diretora associada da Human Rights Watch na Ásia e autora do relatório.

“Caso após caso, essas forças simplesmente mataram pessoas sob custódia e entregaram comunidades inteiras ao terror de ataques noturnos abusivos e ataques aéreos indiscriminados”, acrescentou Gossman.

O relatório baseia-se em entrevistas com 39 residentes locais e outras testemunhas de ataques noturnos nas províncias de Ghazni, Helmand, Cabul, Kandahar, Nangarhar, Paktia, Uruzgan, Wardak e Zabul, bem como com grupos afegãos de direitos humanos que documentaram essas operações.

Em muitas das operações noturnas investigadas pela HRW, forças de ataque atacaram civis por causa de identidade equivocada, falta de informação ou rivalidade política na localidade. “Os governos dos EUA e do Afeganistão devem cooperar com investigações independentes sobre essas alegações”, apelou a autora do relatório.

“Estes não são casos isolados, mas ilustrativos de um padrão maior de violações graves das leis de guerra — e até crimes de guerra — por essas forças paramilitares”, sublinhou Gossman.

No relatório, a ONG de defesa dos direitos humanos, explicou que as forças talibãs cometeram frequentemente violações das leis de guerra e abusos dos direitos humanos, incluindo ataques indiscriminados que mataram e feriram inúmeros civis. “O Governo afegão deve investigar imparcialmente todas as alegações de abuso das forças de segurança afegãs, processar os responsáveis por crimes de guerra e abusos graves e desmantelar e desarmar forças paramilitares que operam fora das cadeias normais de comando”, indica o relatório da HRW.

Já o “Governo dos EUA deve investigar qualquer pessoa dos EUA envolvido nesses abusos, processar os responsáveis por crimes de guerra e deixar de apoiar as forças afegãs que foram responsáveis por violações graves”, segundo a HRW.

“As forças afegãs apoiadas pela CIA, caso após caso, ignoraram as proteções às quais civis e detidos têm direito e cometeram crimes de guerra”, afirmou Gossman.

“Os Governos dos EUA e do Afeganistão devem acabar com esta patologia e desmantelar todas as forças irregulares”, concluiu a autora do relatório.