Quente: Brittany Kaiser aqueceu, mas não pelos melhores motivos

Brittany Kaiser chegou ao palco principal, de vestido vermelho, acompanhada por Joe Pounder, presidente do Bullpen Strategy Group, e Neal Katyal, ex-procurador-geral dos Estados Unidos. Era a única mulher em palco — aquela de quem queríamos ouvir as justificações para o que aconteceu em 2016, quando a Cambridge Analytica usou indevidamente os dados de 87 milhões de contas de Facebook para pôr Donald Trump na Casa Branca. Mas da tão esperada (pelo menos por nós) Kaiser, ouvimos referências ao seu novo livro, acusações duras ao Facebook, a urgência de protegermos os nossos dados e futurologia sobre as próximas eleições norte-americanas. Trump vai ganhar ou não? Não sabemos. Mas na hora de assumir responsabilidades pelos resultados de 2016, só houve um dedo apontado: a Mark Zuckerberg. E pouco mais.

Muito à semelhança do que já tinha sido visível no documentário da Netflix: “Nada é Privado: O Escândalo da Cambridge Analytica”, Brittany Kaiser vestiu a pele e a roupa de delatora e — não fossemos nós saber tudo o que aconteceu —  quase que poderíamos jurar que ela nada tinha tido a ver com o assunto. Mas teve. A nova pele de Brittany é um novo caminho, mas não apaga o que foi traçado até aqui e a responsabilidade de todos os envolvidos. Desculpa, Brittany, mas nem todos pudemos ir recuperar do escândalo que tudo isto foi para um destino paradisíaco…

Quanto a temperaturas, ainda bem que a Uber lançou (mais) uma marca de trotinetes em Lisboa. Podemos sempre dar ao pé para aquecer.

Morno: O Facebook deu um outro ar da sua graça, mas não é suficiente para confiarmos nele

Kevin Weil foi a brisa fresca que entrou no Altice Arena na manhã desta terça-feira — e, desta vez, foi mesmo pelos melhores motivos. Cansados de ver Zuckerberg na sua pele oficial de dono-desta-rede-social-toda, nas entrevistas, no Congresso norte-americano, nas intervenções do Facebook — em todo o lado, a bem da verdade — já pouco ou nada sobra para podermos confiar naquela que é a maior rede social do mundo. Muito menos na criptomoeda que tanto quer lançar, a Libra.

Kevin Weil chegou ao palco da Web Summit desempoeirado, mais descontraído do que o seu líder, mais recetivo, mais comunicativo e mais cordial. Uma lufada de ar fresco, portanto (não escrevi que era pelos melhores motivos?). Disse-nos que sabe que não temos razões para confiar na empresa liderada por Mark Zuckerberg, mas garantiu que os dados financeiros vão estar separados dos da rede social. Nós ainda não acreditamos, mas pelo menos ouvimos qualquer coisa. Já foi bom. Contou-nos como querem pôr as pessoas a trocar dinheiro digital como se fossem emails e lembrou como começou o projeto Calibra — subsidiária do Facebook para o lançamento da criptomoeda Libra. Foi fresco, sim. Mas foi suficiente? Não.

Frio: Paddy ficou doente (pode ter sido do frio de ontem)

Rouco, adoentado e com poucas novidades na conferência de imprensa que deu na manhã desta terça-feira. Paddy Cosgrave ficou doente e, apesar de esta ser a maior Web Summit de sempre — com mais startups, mais mulheres e mais investidores –, as revelações não acompanharam o ritmo de crescimento. Até António Costa, que está em Praga, na República Checa, agitou mais as águas, ao dizer que quer vir ao evento na quarta-feira para defender a taxação das grandes empresas tecnológicas. Valeu-nos também Michel Barnier, que falou do Brexit como ninguém, e a CEO da Wikipedia, que trouxe conforto a um palco que podia ter fechado sozinho e frio. Obrigada, Katherine Maher. Até amanhã.