O líder da Fretilin na oposição em Timor-Leste, Mari Alkatiri, manifestou esta quinta-feia preocupação pela situação “muito grave” do país, criticando também o excessivo valor e as políticas da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020.

O ex-primeiro-ministro questionou o facto do OGE, atualmente em tramite parlamentar, ter começado “com um teto de 1,1 mil milhões de dólares e ter chegado quase ao dobro”, sendo financiado pelo “património líquido” do Fundo Petrolífero em investimentos “sem retorno”.

Recordando que desde 2007 o Estado gastou mais de 12 mil milhões de dólares (10,8 milhões de euros), Alkatiri questionou a “estrutura do próprio orçamento” que parece “interessado em despesas fáceis, com bens e serviços e transferências públicas”.

Pedindo melhor investimento para o desenvolvimento, em setores como educação, saúde, agricultura e turismo, Alkatiri disse que as receitas não-petrolíferas do país rondam apenas os 200 milhões de dólares. “Temos que encontrar solução para travar o movimento de despesas sem retorno. Se não temos capacidade para travar, temos um problema. Esta é uma situação grave que enfrentamos agora. Estamos numa caminhada sem retorno”, afirmou. “As receitas não-petrolíferas nem sequer dão para salários e vencimentos”, afirmou.

Mari Alkatiri falava na 1.ª Conferência Nacional do Comité Orientador 25, estrutura que pretende registar a história da luta timorenses pela independência.

O ex-primeiro-ministro tinha sido convidado para apresentar uma palestra sobre a história da luta, mas depois de uma introdução sobre o tema, a sua intervenção acabou dominada pela situação atual

Referindo-se à situação “grave” que diz que o país enfrenta atualmente, Alkatiri, atualmente sem funções em instituições do Estado, considerou que é essencial encontrar uma solução que não passe por mais eleições antecipadas.

“Por tudo e por nada fala-se de eleições antecipadas. Isso não é solução. Temos que encontrar uma solução. E rejeitar a tendência de estar sempre a arranjar bodes expiatórios”, afirmou o ex-chefe do Governo.

“A abordagem tem que mudar, a cultura política tem que mudar, mas fundamentalmente agora temos que ter coragem para abordar a questão do Estado, para defender e reforçar o Estado de Direito Democrático”, disse ainda.

Pedindo “respeito pelos órgãos de soberania” e afirmando que “os líderes nacionais atuais são os que foram eleitos para exercer as funções nos órgãos de soberania”, Alkatiri disse que “não há comando fora do barco”.

“Fala-se do poder informal. Não quero criticar ninguém, seja quem for. Todos têm direito a intervir para encontrar soluções para Timor-Leste. Todos têm direito, mas com uma linha clara de vida e cultura institucional e isso significa solidariedade entre órgãos de soberania”, afirmou.

“Nós, que fizemos parte da luta, temos que contribui para encontrar soluções dentro desta linha, não fora desta linha”, afirmou.