A derrota do FC Porto na Escócia com o Glasgow Rangers é grave e preocupante para os dragões por vários motivos. À cabeça, porque empurra a equipa para o último lugar do grupo da Liga Europa e complica o apuramento para a fase seguinte. Depois, porque entra numa espiral de exibições sofríveis que começou com o Feyenoord, aliviou com o Famalicão e prosseguiu com o Marítimo, o Desp. Aves e agora o Rangers. E, por fim, porque vai em toda a linha contra aquilo que Sérgio Conceição tinha delineado aquando da eliminação na Liga dos Campeões, altura em que apontou à conquista da segunda competição europeia.

Entre estes três fatores, aquele que se torna mais premente para os adeptos do FC Porto é o segundo. Se o primeiro e o terceiro estão somente relacionados com a Europa, o segundo pode — e já está a — afetar a competitividade, a eficácia e os objetivos da equipa de Sérgio Conceição na Primeira Liga. E essa escassez de competitividade, eficácia e objetivos abre caminho a um possível bicampeonato do Benfica que deixaria em maus lençóis o trabalho do treinador, o projeto a curto/médio prazo do clube e a estratégia global para todas as competições. Os dragões somaram duas derrotas consecutivas fora na Europa e ficaram, pela primeira em 18 anos, em branco nessas duas partidas. Além de não terem feito qualquer remate em toda a segunda parte, enquadraram apenas um na totalidade da partida e perderam até na posse de bola (51% contra 49%).

De calculadora na mão, o FC Porto está agora obrigado a vencer os dois jogos que restam na fase de grupos: com o Young Boys na Suíça e o Feyenoord no Dragão. Se assim for, soma 10 pontos e atinge uma espécie de salvaguarda, já que no melhor dos cenários para os adversários os suíços e os escoceses chegam também a esses 10 pontos. Existe, porém, a possibilidade de todas as equipas entrarem para a última jornada com sete pontos — aqui, se o FC Porto ganhar ao Feyenoord e o Young Boys vencer o Rangers, pode mesmo ficar em primeiro lugar do grupo devido à vantagem no confronto direto com os suíços. Entre muitas contas e um notório equilíbrio no grupo, o panorama mais confortável para os dragões só poderá mesmo ser atingido com duas vitórias nas duas jornadas restantes.

Na flash interview, Sérgio Conceição explicou que o FC Porto entrou “bem no jogo”. “Entrámos de forma diferente do que o adversário estava à espera, para tentar condicionar a linha média no que é a dinâmica ofensiva do adversário. Tivemos algumas ocasiões na primeira parte, podíamos ter sido mais incisivos. Foi um jogo muito equilibrado na primeira parte, sem grandes oportunidades de parte a parte, mas sentimos que estávamos algo confortáveis para arriscar na segunda parte. Aconteceu a lesão do Pepe, mesmo assim tivemos situações em que podíamos, mais uma vez, junto da baliza, ter rematado com convicção, não esperar tanto tempo. Depois há o lance que me parece penálti e na jogada seguinte sofremos o golo, o que galvanizou o adversário. Temos quatro pontos, os nossos adversários têm sete, só dependemos de nós. Temos de preparar bem, a seu tempo, a Liga Europa, mas agora termos de pensar no jogo de domingo, que é bastante importante”, explicou o treinador, que apostou numa nova estratégia raramente vista na equipa, com três centrais.

Sobre a opção tática, Sérgio Conceição assumiu a culpa porque “o treinador é sempre o culpado” e explicou que nunca poderia dizer que a estratégia “foi fantástica” depois de perder por dois golos. Com esta derrota, o FC Porto chegou à pior prestação após seis jogos nas competições europeias desde 2013/14: na altura, somaram apenas uma vitória, agora levam duas.