Das tascas tradicionais às inaugurações simultâneas de Miguel Bombarda, do Clube Filosófico à música alternativa, do vinho aos azulejos nas fachadas. Cabe quase tudo neste guia gratuito sobre o Porto lançado esta terça-feira pelo Facebook. “É uma forma de conhecer o Porto que não é possível com um guia turístico”, começa por dizer ao Observador Lola Banos, responsável pela comunicação do Facebook para a Península Ibérica. A espanhola sublinhou que “40 milhões de pessoas na Europa estão vinculadas a pelo menos um grupo no Facebook, este pode ser grande ou pequeno, local ou global”.

Apresentar uma cidade vista pelos olhos de várias comunidades presentes na rede social criada por Mark Zuckerberg é uma ideia que surgiu em junho de 2018 em Sevilha, sendo o Porto a 13ª cidade a nível europeu a ter um compêndio deste género, depois de Lisboa, Istambul, Copenhaga ou Cracóvia.

Disponível em papel, nos principais pontos turísticos da cidade, e também online, o guia foi desenhado pelo designer José Cardoso e fotografado por Ricardo Castelo, tem 72 páginas e divide-se entre o lado mais tradicional, onde imperam os museus, os cafés antigos e o comércio de rua, e um universo trendy, com circuitos de arte urbana, espaços para praticar desportos radicais e pontos de encontro para debates sobre criatividade e inovação.

Durante os meses de agosto e setembro, 22 comunidades portuenses com diferentes áreas de interesse foram convidadas a partilhar sugestões, histórias e experiências reais sobre o Porto, um processo “mais rápido e imediato” relativamente a outras cidades. “A resposta aqui foi muito positiva, os grupos aderiram logo à nossa proposta”, revela Lola Banos, acrescentando que o guia foi pensado para locais e turistas, sendo também uma forma de “celebrar” o património histórico, cultural e humano.

Galerias de arte, fotografias antigas e azulejos na rua ditam os caminhos para conhecer o Porto

Na apresentação, que decorreu esta terça-feira no edifício da Alfândega do Porto, estiveram três protagonistas do projeto. Ana Alves da Silva, responsável pelas Inaugurações Simultâneas de Miguel Bombarda, o evento que reúne galerias de arte e espaços alternativos daquela zona desde 2007, mas só em 2013 teve direito a uma página na rede social. “O Facebook tornou-se um veículo de comunicação muito mais direto, rápido e eficaz”, o que contribuiu para a qualidade e longevidade da iniciativa.

Manuel de Sousa criou em 2012 a página Porto Desaparecido, tendo como objetivo preservar as memórias históricas da cidade através da publicação de fotografias antigas. “Fi-lo em plena crise com o intuito de aumentar a autoestima dos portuenses”, diz, acrescentando que em vez de um blogue optou pelo Facebook, “por ser uma comunidade mais transversal e democrática”.

Já Joana de Abreu é a cara por detrás do projeto Preencher Vazios, dedicado à preservação dos azulejos nas ruas do Porto, onde também junta a literatura. Graças a intervenções completamente manuais, a artista preenche os espaços vazios nas fachadas com novos azulejos e frases de escritores portugueses. “O Facebook também funciona como um arquivo de conteúdos e no meu caso vive muito da fotografia, uma vez que o que faço muitas vezes é retirado.”

Também presente na cerimónia esteve Ricardo Valente, vereador do Pelouro da Economia, Turismo e Comércio da Câmara Municipal do Porto, que sublinhou a aposta “fundamente” da cidade no turismo. Prova disso, destacou, é o facto de o Porto ser hoje “o segundo maior destino turístico do país, ultrapassando o Algarve”.