Só 15,8% dos militantes do PSD poderiam votar se as eleições diretas fossem hoje. De acordo com dados divulgados esta terça-feira pela secretaria-geral do partido dos 106.328 militantes ativos do PSD só 16.812 têm quota válida para participarem na eleição do líder do partido, que se realiza em janeiro de 2020. Ou seja: menos de 2 em cada 10 militantes podia participar no ato eleitoral.

As quotas prometem ser um caso de campanha e, por isso, a direção de Rui Rio decidiu mostrar os dados, monitorizados ao segundo, para que todos os militantes e eleitores possam controlar o volume de pagamento de quotas e número de militantes com capacidade eleitoral. O secretário-geral adjunto do PSD, Hugo Carneiro, destacou no Twitter que, “pela primeira vez na história do partido” é divulgado o número de militantes ativos, de quotas pagas, aderentes à nova aplicação do PSD e os pedidos de referência, estando tudo discriminado por distrital. E conclui o tweet com uma exclamação: “Transparência!”

O PSD informa ainda que já recebeu mais de 10.000 pedidos de referência multibanco para pagar as quotas por SMS. A candidatura de Luís Montenegro, principal opositor de Rui Rio nas diretas, defende que todos os militantes (os que têm as quotas pagas e os que não têm) deviam poder votar nas diretas de 11 de janeiro do próximo ano. O diretor de campanha de Montenegro, Pedro Alves, e outro dos seus maiores apoiantes, Almeida Henriques tentaram aprovar uma proposta nesse sentido no último Conselho Nacional. A Mesa não aceitou.

Se as eleições fossem hoje, as distritais tinham um número de militantes ridiculamente baixo para votar. A esta distância pelo menos – as diretas são a 11 de janeiro -, o partido não parece estar mobilizado. Prova disso é que, mesmo com eleições na distrital no último fim-de-semana, dos 12.758 militantes ativos da distrital de Lisboa só 3.579 é que têm as quotas pagas (votaram 1888 nas eleições distritais).

Já no caso do Porto, a maior distrital, 2.878 militantes têm as quotas pagas num universo de 16.404 militantes. Ou seja, na distrital de Rio, menos de um quinto dos militantes estão em condições de votar. Em Braga, dos 11.481 militantes só 1.422 é que têm as quotas em dia. Em Aveiro — distrital liderada pelo vice-presidente Salvador Malheiro — o rácio também não é brilhante com 1.371 militantes com quotas pagas em 8.905 ativos.

Mas há casos mais gritantes. Na Madeira, em 10.301 militantes ativos só nove têm as quotas em dia, o que significa que nem os dirigentes regionais todos terão pago as quotas. O mesmo acontece nos Açores, que em 10794 militantes ativos, só 15 têm as quotas pagas. Fora da Europa, em 1633 militantes, apenas um poderia votar neste momento.

Desde que chegou à liderança do PSD que Rui Rio tem um plano para combater os caciques, tendo dificultado o pagamento de quotas por atacado. E, já durante a sua liderança, foi criado um sistema (promovido pelo secretário-geral adjunto Hugo Carneiro) em que apenas o próprio militante, do seu telefone pessoal (ou do número fornecido junto do PSD) pode pedir a referência.

Já na última quarta-feira, ainda antes do Conselho Nacional, Rio deixou claro que não estava disposto a mudar as regras de pagamento de quotas para aumentar o universo eleitoral. “Ao longo da minha vida critiquei sempre o que posso considerar as vigarices que aconteceram nas eleições internas: quando há uma, duas ou três pessoas que vão buscar dinheiro não sei onde e pagam as quotas de 200, 300 ou 300 pessoas. Aqueles que procuram pagar as quotas por atacado, isso é para acabar”, disse o líder do PSD em declarações aos jornalistas no Parlamento.