Foi uma das mais inesperadas e precoces mortes no mundo da música nos últimos anos. Mac Miller, rapper e cantor norte-americano que se chamava na verdade Malcolm McCormick, morreu em setembro de 2018, com uma overdose acidental, aos 26 anos. Apesar da idade jovem, Miller deixou um legado importante no hip-hop confessional e melódico feito esta década e editou quatro discos, o último dos quais Swimming, lançado no mês anterior à morte, em agosto. Esta quarta-feira, contudo, a família do cantor e rapper anunciou que será editado na próxima semana, a 17 de janeiro, o primeiro álbum póstumo de Mac Miller.

A declaração em que a família de Miller anuncia o disco novo foi publicada nas contas oficiais de Mac Miller nas redes sociais, que se mantêm ativas. O texto começa assim: “Aqui estamos nós. O ato de termos de escrever isto parece surreal. Quando morreu, o Malcolm estava imerso no processo de gravação de um álbum que fizesse companhia ao Swimming [o seu último disco em vida, editado um mês antes de morrer]”.

A ideia era serem dois estilos diferentes que se complementassem, completando um círculo — Swimming in Circles [Nadar em Círculos] era o conceito”, prossegue o texto, assinado “com humildade e gratidão” pela “família do Malcolm”.

Quando morreu, o cantor e rapper nascido em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia,  estava a trabalhar com o músico e produtor Jon Brion, acrescenta a família na declaração publicada esta quarta-feira. “Depois da sua morte, o Jon dedicou-se a terminar o Circles, fazendo-o com base nas conversas que teve com o Malcolm e no tempo que passaram juntos. Estamos eternamente gratos ao Jon e a todos os que deram o seu melhor perante a tarefa difícil e emotiva de concluir e revelar este corpo de trabalho”, lê-se ainda no texto.

Confessando que o que fazer após a morte do artista é “um processo complicado” para o qual não existem “respostas certas” ou um “rumo claro”, a família indica que era importante “para o Malcolm” que o mundo ouvisse o que estava a fazer. E confessa que uma das decisões difíceis foi como comunicar este disco póstumo “com sentido e seriedade, mantendo sagrado o que deve ser mantido sagrado”. Por isso, foi tomada a decisão de que nas contas oficiais do falecido rapper e cantor será feito apenas esta publicação. Daqui em diante, a promoção do disco será feita através de canais editoriais.

Obrigado aos fãs que o apoiaram incondicionalmente ao longo dos anos. Temos saudades dele. Só podemos imaginar para onde estava o Malcolm a ir e apreciar o que fez. Esperamos que encontrem tempo para o ouvir [ao disco]. O olhar que tinha quando toda a gente estava a ouvir dizia tudo”, conclui a família.

Em Portugal, o rapper e cantor que falava nas suas músicas dos vícios, dependências e fragilidades que tinha — fê-lo também numa extensa entrevista à revista Rolling Stone, dada pouco antes de morrer — atuou nos festivais MEO Sudoeste e Rock in Rio.