As previsões de crescimento económico foram revistas em baixa na atualização do World Economic Outlook, com o FMI a estimar menos 0,1 pontos percentuais do que em outubro, tanto para este ano (atingindo 2,9%) como para 2020 (3,3%). E para 2021 a revisão em baixa é de duas décimas (3,4%). No entanto, o fundo monetário admite que há sinais interessantes que podem mudar as perspetivas para a economia mundial nos próximos anos.

A marcar as contas pela negativa estão algumas “surpresas negativas” em economias emergentes, com destaque para a Índia — que é responsável pela “fatia de leão das revisões em baixa” —, mas também uma série de riscos geopolíticos que persistem, nomeamente as tensões entre EUA e Irão, crescentes conflitos sociais em vários países e a possível degradação das relações comerciais dos EUA. “A materialização destes riscos poderia levar a uma rápida deterioração do sentimento [económico]”, levando o crescimento global a cair abaixo da principal previsão do FMI.

Por outro lado, o fundo monetário sublinha alguns sinais promissores: as perspetivas para a atividade industrial e o comércio internacional são melhores — o fundo monetário acredita estar a atingir o seu ponto mais baixo antes de iniciar uma inversão de tendência; há uma alteração de comportamento dos bancos centrais, que adaptaram este ano a política monetária às difíceis condições económicas; vão chegando “notícias positivas” embora “intermitentes” das negociações comerciais entre EUA e China; e há menos receio de uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia. Apesar de admitir que estes sinais de estabilização possam ter continuidade, o FMI ressalva que pouco se fizeram sentir ainda nos dados macroeconómicos.

A organização liderada por Kristalina Georgieva insiste que para ultrapassar esta fase de menor fulgor é necessário reforçar a cooperação multilateral e não esquecer as reformas económicas.

O FMI prevê agora para a Zona Euro 1,3% em 2020 (menos uma décima do que em outubro, à boleia de um desempenho mais fraco de Alemanha e Espanha) e mantém a previsão de 1,4% em 2021. Não há dados sobre Portugal nesta atualização do World Economic Outlook.

Também para os EUA, a revisão é de uma décima este ano, esperando agora um crescimento de 2,3%, e mantém 1,7% para o ano seguinte.

A revisão mais forte é feita para o crescimento da Índia, que face a outubro, perde 1,2 pontos percentuais em 2020 e 0,9% em 2021. Ainda assim, este ano terá a segunda maior taxa de crescimento (5,8%) entre os 15 países analisados com maior detalhe, conseguindo mesmo superar a China em 2021 (6,5%).