“O meu nome é Paulo Oliveira, natural de Mafra e sou bombeiro há 25 anos”, é assim que se apresenta este soldado da paz, pai de três filhos, amante de mecânica e passeios de jipe. O início da sua atividade não foi fácil já que, inicialmente, os pais não ficaram muito contentes com a ideia. Contudo, a sua insistência levou a que, aos 13 anos, já andasse dez quilómetros (às vezes de boleia com os pais, outras vezes, de bicicleta) para ir até ao quartel. As formações contínuas, a camaradagem, as “aventuras” e a possibilidade real de ajudar as pessoas, ditaram que ali ficasse, como profissional, durante uma década. “Fui profissional durante 10 anos mas, agora, estou como voluntário na área da mecânica, algo de que gosto muito. Quando aquela campainha toca já sabemos ao que vamos. Há vezes em que não chegamos a sair mas, se houver um serviço, é a cereja no topo do bolo. O que queremos mesmo é ter a possibilidade de ajudar”.

Saber preservar o ambiente

Paulo Oliveira já passou por muito mas sabe que, enquanto bombeiro, tem de “fazer tudo para salvar pessoas e natureza…e tudo o resto que nos compete enquanto profissionais”. No que diz respeito aos incêndios, por exemplo, o objetivo é conseguir chegar ao local o mais rápido possível, para controlar e extinguir o fogo. No caso dos incêndios florestais, “por vezes a extinção do fogo é dificultada pelo lixo que é deixado no local. Pela coluna de fumo, conseguimos perceber que há mais coisas a arder sem ser de origem natural, como plástico e pneus”, garante. “Quando há muito lixo é mais difícil extinguir, pois a carga térmica é muito mais elevada e o trabalho é dificultado. É preciso perceber o que é necessário ‘atacar’ primeiro”. Este é um alerta determinante que não podemos ignorar: Paulo reforça que cabe a cada um de nós contribuir para diminuir o risco de ignição e de alastramento do fogo. Não deixar lixo quando fazemos um piquenique ou passeio no campo, nem largá-lo da janela do carro, são alguns dos hábitos que precisamos de adquirir e passa-los às gerações mais novas. E, se julgávamos que este tipo de atitude já estaria extinta, Paulo convida a olhar com mais atenção para a berma das estradas ou para as nossas matas e florestas. “Quando vou de jipe, levo sempre sacos que distribuo pelos meus amigos para recolher o lixo que vamos encontrando na natureza”.

O filho mais velho de Paulo não quer ser bombeiro mas, se for guiado pelo exemplo do pai, não vai dificultar o trabalho destes profissionais. “Tento ensinar os meus filhos através do exemplo. Se todos nós, quando saímos de casa, pensássemos em todo o lixo que fazemos e procurássemos o local próprio para o colocarmos, tudo seria melhor”. Continuaríamos a precisar destes heróis, mas um bocadinho menos…e eles, com certeza, não se importariam.