qua·dri·lha
substantivo feminino

Grupo de ladrões, assaltantes ou malfeitores. = banco, cambada, caterva, corja, malta, súcia.

António Pires de Lima leu uma entrada no dicionário para dar uma lição a Francisco Rodrigues dos Santos. O antigo ministro da Economia lembrou que, na moção global, Francisco Rodrigues dos Santos se refere aos partidos de esquerda como “a quadrilha das esquerdas unidas“. E leu o que significa a palavra no dicionário: “grupo de ladrões” e “assaltante”.

Pires de Lima reconhece que “há quem goste e há até quem aplauda” este tipo de expressões, mas destaca: “Eu não”. O histórico militante avisa que “quem assim qualifica os adversários políticos, quem trata hoje desta forma maniqueísta os adversários, tratará no CDS assim quem tiver posições diferentes da sua”. E deixa um puxão de orelhas ao jovem: “Francisco Rodrigues dos Santos, se te queres dar ao respeito, começa tu por te dar ao respeito dos adversários”.

Neste momento, Pires de Lima foi apupado: ouviram-se fortes vaias a Pires de Lima dos apoiantes de Francisco Rodrigues dos Santos. Os apupos foram mais sonoros, mas também houve aplausos dos apoiantes de João Almeida.

Num discurso duríssimo, o antigo governante sugeria aos delegados que não escolhessem Francisco Rodrigues dos Santos: “Dêmos tempo ao Francisco para apurar a sua cultura democrática, a cultura de respeito pelos outros.” Pires de Lima sugeriu que o líder da JP quer fazer o partido regressar a tempos de má memória, numa alusão à liderança de Manuel Monteiro. Pires de Lima acabou o discurso debaixo de apupos e disse esperar que ganhasse amanhã o lado que não tem aquela atitude. Anunciou, naturalmente, o seu apoio a João Almeida.

[Ouça aqui a vaia a António Pires de Lima]

Ouça aqui a vaia e os apupos a Pires de Lima depois do raspanete a Chicão a partir do palco

“Não é a primeira vez que sou apupado”, diz Pires de Lima

Minutos depois, ainda a sala estava quente, Pires de Lima explicava à Rádio Observador que optou por uma “intervenção clarificadora” e explicava que não viria de “Lisboa para Aveiro para dizer o que toda a gente quer ouvir”, mas sim  para dizer o que pensa. Lembrou ainda que “não é a primeira vez” que foi apupado num congresso do CDS e que já o tinha sido com José Ribeiro e Castro.

Pires de Lima destacou que os apupos que ouviu lhe deram razão já que deixaram “claro que há uma parte do partido que não está preparada para ouvir opiniões diferentes”. O antigo ministro da Economia acusa o líder da Juventude Popular de “falta de preparação e cultura democrática para quem pretende liderar” e destaca que o CDS “precisa de ter juízo e ser inclusivo para recuperar”

António Pires de Lima afirmou ainda que “ficou claro na reação à intervenção” como serão “os tempos que esperam o CDS” caso “amanhã ele [Francisco Rodrigues dos Santos] saia eleito presidente do CDS”. O governante defende “um líder com uma cultura democrática forte, que leve o partido a abrir pontes para o PSD“. E também com o PS: “Precisamos de saber também conversar com quem está no poder, não faz sentido nenhum que o CDS se crispe e sujeite as suas propostas à falência do ponto de vista parlamentar.”

Adolfo defende Pires de Lima

Adolfo Mesquita Nunes — também apoiante de João Almeida — acabaria por fazer a defesa de honra de Pires de Lima logo a seguir. Confessou no palanque que não queria começar o discurso dessa forma, mas também ele tinha de deixar um ralhete aos apoiantes de Francisco Rodrigues dos Santos: “Um partido que tem orgulho na sua história não apupa um ministro que tirou um país da bancarrota”. Foi aplaudido com estrondo.

E acrescentou um aviso: “Quando se está na política ouve-se tantas vezes coisas que não se gosta. Na vida ouve-se tantas vezes coisas que não se gosta. Ao longo da minha vida ouvi muitas vezes coisas que não gostei. Nem por isso apupei”. E também visou Francisco Rodrigues dos Santos nas críticas que este fez à direção de Cristas: “Não gosto de ser chamado de direita cobarde, poeta de karaoke, direita de champanhe. Não gosto. Porque quando estive a exercer funções de secretário de Estado do Turismo, estava a servir o CDS e o país, não era direita champanhe. Não era a direita envergonhada nem cobarde”.

Pode ouvir aqui a intervenção de Adolfo Mesquita Nunes em resposta aos apupos.

Ouça aqui a resposta de Adolfo Mesquita Nunes aos apupos a Pires de Lima