O edifício que alberga a Coleção de Arte Moderna do Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai encerrar em agosto, previsivelmente durante um ano e meio a dois anos, para obras. As peças de arte continuarão a ser mostradas em Portugal e no estrangeiro.

Em declarações à Agência Lusa, a diretora do Museu Calouste Gulbenkian, Penelope Curtis, explicou que o edifício conhecido como Centro de Arte Moderna  vai encerrar por causa do projeto de ampliação do jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e das obras do novo Parque Urbano da Praça de Espanha, mas a Coleção Moderna do museu vai “continuar a ser utilizada”.

“Não só aqui. Vamos pôr peças na coleção do fundador [em exposição noutro edifício do museu] e vamos continuar, como dantes, a fazer empréstimos. [Haverá] obras por todo o lado, em Portugal e no estrangeiro também”, referiu Penelope Curtis à margem de uma visita de imprensa a um novo percurso expositivo da Coleção de Arte Moderna.

De acordo com a diretora, o museu já tem “quase 500 empréstimos [acordados] no ano que vem” e estão já programadas “várias exposições” fora de portas, em cidades portuguesas como Lisboa, na Culturgest e no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, ou Coimbra, e no estrangeiro, em Chicago (Estados Unidos da América), Nice (França), Bruxelas (Bélgica) e Valência (Espanha).

O percurso Partidas e Chegadas — artistas em viagem,  inaugurado esta quinta-feira, é assim a “última mudança” na exposição da Coleção Moderna antes do encerramento do edifício. Penelope Curtis destacou que, neste novo percurso, como em anteriores, “fundamentalmente, é importante mostrar a ideia do museu”. “Temos uma coleção e precisamos de mudá-la, para a utilizar bem”, afirmou.

O novo percurso inclui várias obras mostradas pela primeira vez no Museu Calouste Gulbenkian, algumas incluídas há vários anos no espólio, como uma série de gravuras de Maria Helena Vieira da Silva, e outras recentemente, caso das obras de João Louro e de Eugénia Mussa, que são novas aquisições daquela instituição.

Segundo Patrícia Rosas, curadora de Partidas e Chegadas — artistas em viagem, a criação deste percurso “partiu muito do trabalho da Vieira da Silva”, havendo uma sala dedicada apenas a gravuras da pintora, “que são pela primeira vez mostradas na Coleção Moderna”.

As obras incluídas da exposição são da autoria de “artistas em viagem, mas também de artistas da diáspora”. E, apesar de Vieira da Silva ter dado o mote, a obra escolhida para abrir o novo percurso foi “Hidden Pages, Stolen Bodies”, de António Ole, “considerado o maior artista angolano” da atualidade. Trata-se de uma instalação “sobre o colonialismo, a repressão e a violência”. “Tem que ver com questão dos corpos que estão escondidos e foram explorados”, explicou Patrícia Rosas.

A obra de António Ole, que trabalha entre Lisboa e Luanda, foi adquirida pelo museu em 2015, aquando de uma exposição na Gulbenkian a ele dedicada.

As peças de Partidas e Chegadas — artistas em viagem estão dispostas em todo o espaço, mas identificadas por um ícone, um pequeno avião, que estabelece o percurso.

Além de obras de Vieira da Silva, António Ole, João Louro e Eugénia Mussa, o novo percurso conta também, entre outros, com trabalhos de João Cutileiro, Lourdes Castro, Ângela Ferreira, Mónica de Miranda, Amadeo de Souza-Cardoso, Menez, Malangatana, David de Almeida, Edgar Martins, Maria Gabriel, Fernando Lemos e Augusto Alves da Silva.

O percurso, que inclui 69 obras de 31 artistas, estará patente no Museu Calouste Gulbenkian – Coleção de Arte de Moderna até o edifício encerrar para obras.