As primeiras informações chegaram às autoridades espanholas em 2017: dois empresários do mundo do futebol da agência Lian Sports, um das que tem maior volume de negócios na Europa, tinham comprado vivendas de luxo na ilha de Maiorca através de um esquema financeiro para ocultar a sua identidade. Foram precisos quase três anos, com a colaboração da Europol, para analisar todas as informações financeiras e bancárias da empresa e para a Guardia Civil partir esta semana para o terreno e fazer buscas. Um dos alvos foi a casa de Fali Ramadani, o empresário que já negociou jogadores do Benfica e que é um dos cinco investigados.

O comunicado da Guardia Civil, citado esta terça-feira pelo Jornal de Notícias, refere que após esta primeira investigação em que foi seguida a origem do dinheiro a nível internacional, se pode afirmar que estes agentes de futebol integravam uma organização criminal que controlaria diversos clubes do país, como a Sérvia, o Chipre e a Bélgica, fazendo contratos fictícios com jogadores — como revelam alguns documentos publicados no site Football Leaks, que terá sido criado por Rui Pinto (a aguardar julgamento por tentativa de extorsão e crimes informáticos).

As autoridades acreditam que os agentes do jogadores introduziram em Espanha mais de 10 milhões de euros para adquirir vivendas e iates e manter “o seu elevado nível de vida”. Numa operação que ganhou o nome de Lanigan, agentes da Guardia Civil com pessoal da Agência Tributária, coordenados pela Oficina Nacional de Investigação de Fraude e a Europol  fizeram buscas em casas e em empresas nas ilhas Baleares, em Barcelona, Madrid, Málaga, Sevilha, Almeria, Valencia e outras cidades.

Segundo o site espanhol Última Hora, o primeiro a dar conta da operação, são dezenas de operações que estão a ser investigadas, entre elas o contrato do jogador brasileiro Neymar que assinou pelo Paris Saint Germain.

Fali Ramadani, o empresário albanês de futebol cuja empresa representa o ponta de lança do Benfica, Haris Seferovic, e vários antigos atletas do clube da Luz, é suspeito de fraude e evasão fiscal, assim como branqueamento de capitais.

Tal como o Observador então noticiou, além do que Rui Pinto publicou no Football Leaks foi-lhe apreendida diversa documentação que poderá servir de base para investigações criminais em vários países. Aliás, no processo em que será julgado em Portugal, por tentativa de extorsão e crimes informáticos, o Ministério Público chegou a ouvir Cristiano Ronaldo enquanto testemunha para lhe perguntar se ele podia ter sido alvo de algum crime de extorsão por Pinto por causa dos documentos que levaram à sua condenação por fraude fiscal. Ronaldo recusou ter sido contactado nesse sentido e refere que ele e os colegas sempre acharam que algum hacker podia ter violado, sim, a caixa de e-mail do Real Madrid (também agenciado por Ramadini) para obter determinadas informações.