Foi na tarde desta segunda-feira, em declarações à RTP, que Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que recebeu a notícia de que não está infetado com Covid-19 “com satisfação” e confirmou que se manterá em isolamento até ao final da próxima semana, por precaução.

“Era importante em termos de saúde pública saber que o Presidente da República não tinha um resultado positivo”, afirmou o chefe de Estado a partir do terraço de sua casa, em Cascais, onde passará os próximos 14 dias, como medida de precaução. “Havia professoras que tinham ido com esta turma [encontrar-se com o PR], que não era a mesma turma do aluno internado, mas que podiam ter tido contacto com essa turma. Não valia a pena correr o risco. Não apenas por mim, mas pelo risco de eu poder ser portador”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que os compromissos que tinha marcados envolveriam o contacto com “centenas ou milhares de pessoas”.

Sobre a decisão de ser colocado em isolamento, Marcelo explicou que a decisão partiu de si, mas que consultou o ministério da Saúde e a DGS: “Eu tive logo a reação instintiva de que teria de ser [posto em quarentena]. Mas contactei naturalmente a ministra da Saúde a diretora-geral da DGS, que imediatamente concordaram e me disseram que era esse o tratamento genérico que deveria ser dado nessas situações. Não haveria razões para que o Presidente tivesse um tratamento excecional. Pelo contrário, o Presidente da República deve ter ainda mais precauções, porque o universo de pessoas com quem contacta é ainda maior”.

PR prevê que não irá haver orçamento retificativo

Mais tarde, de novo a partir de casa, o presidente deu uma entrevista por vídeochamada à TVI. Questionado sobre se não teria provocado menor alarme social ao ficar isolado no Palácio de Belém, por exemplo, Marcelo respondeu que tal seria ainda “pior”. “No caso de ser positivo, ir para o Palácio de Belém era aumentar o risco face ao número de pessoas.” O Presidente falou ainda sobre a experiência de estar sozinho em casa.

“Em minha casa vou estar sozinho, não entra nem sai ninguém. Só entraram as 3 pessoas para fazer o teste”, afirmou. “Além do trabalho normal, uma pessoa tem de tratar da casa”, acrescentou. “Lavo a loiça, ponho a roupa a lavar e faço as refeições.”

Já quanto ao impacto que esta epidemia de coronavírus pode ter na economia mundial, o Presidente da República apontou que não é de negligenciar esse facto. Questionado sobre a possibilidade de ter de haver um orçamento retificativo, Marcelo rejeitou essa hipótese: “Não. Acho que o Orçamento é suficientemente flexível e maleável”. Contudo, sublinhou que “a sua execução vai ter de ser muito hábil”, tendo em conta a duração da epidemia de coronavírus.