Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Horas depois da Cofina anunciar que deixou cair a compra da Media Capital, o grupo Prisa diz que vai iniciar todas as ações legais contra o grupo proprietário do Correio da Manhã, nos termos do acordo de venda da dona da TVI, sem especificar quais.

A Cofina revelou, na primeira hora de quarta-feira, que o aumento de capital para atrair 85 milhões de euros não conseguiu colocar o total de ações previsto e que por isso já não vai comprar a Media Capital, dona da TVI. A empresa proprietária do Correio da Manhã informou que é “desde já possível concluir que o número de ações subscritas não atinge o total de ações objeto da oferta pública”. Sem o aumento de capital, “não se encontram reunidas as condições de que depende a conclusão do negócio de compra e venda das ações da Vertix (e indiretamente da Média Capital)” previsto no contrato com a Prisa.

O comunicado do grupo espanhol, emitido esta manhã, confirma que a conclusão da transação estava apenas dependente do registo comercial do aumento de capital da Cofina que iria ajudar a financiar a aquisição. Ora, a Prisa sublinha que segundo a comunicação feita pela Cofina no acordo de compra da Media Capital e comunicado ao mercado, a empresa tinha os compromissos necessários para financiar o montante exigido para concluir a transação. Uma parte dos fundos vinha de instituições de crédito e outra parte dos principais acionistas que podiam mobilizar os montantes necessários para assegurar o aumento de capital. Um dos investidores que ia participar nesse esforço era Mário Ferreira, o dono da Douro Azul, que estava disponível para entrar com 20 milhões de euros. Em declarações ao jornal Eco, o empresário mostrou-se surpreendido com a decisão da Cofina de deixar cair o negócio.

O grupo liderado por Paulo Fernandes justifica que, tendo em consideração especialmente a “recente e significativa deterioração das condições de mercado, a Cofina entendeu não estarem reunidas condições para o lançamento de uma oferta particular para colocação das ações sobrantes, cuja possibilidade se encontrava prevista no prospeto da oferta pública de subscrição”. A operação fica assim sem efeito. E ao não se verificar o aumento de capital que era “a última condição suspensiva de que depende o fecho da operação de aquisição” da Media Capital, esta transação não vai para a frente.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As condições de mercado referidas pela Cofina agudizaram-se esta semana por efeito do coronavírus e do trambolhão sofrido pelo petróleo, na sequência do conflito entre a Rússia e a Arábia Saudita sobre como responder à queda da procura mundial.

No final de janeiro, a empresa chegou a sinalizar ao mercado que tinha garantido 70% dos fundos necessários para concretizar a operação, mas a queda das ações acentuou-se a partir do início de março. A Cofina devia pagar cerca de 125 milhões de euros pela Media Capital, incluindo a assunção de dívida de cerca de de 80 milhões de euros, o que avaliava a empresa em 205 milhões de euros, um valor 50 milhões de euros mais baixo que o inicialmente previsto por causa da queda de audiências e de receitas da TVI no ano passado.

A compra da Media Capital pela Cofina, criando o maior grupo de comunicação social em Portugal, já tinha sido autorizada pelo regulador da comunicação, a ERC, e pela Autoridade da Concorrência.

Esta é a segunda tentativa de venda da Media Capital a falhar. Em 2018, a Altice chegou a acordo para adquirir a dona da TVI à espanhola Prisa, mas a operação foi chumbada pela Autoridade da Concorrência. Sobre o futuro da Media Capital, a Prisa diz que vai manter os seus planos focados na educação e em ativos estratégicos dos media ao mesmo tempo que manterá uma política ativa de desinvestimento focada nas operações não estratégicas.

As ações da Cofina chegaram a estar suspensas de negociação esta manhã, mas as transações já foram retomadas e seguem a cair ligeiramente. Já as ações da Prisa seguem a cair mais de 15%.