A New Directions, importante editora de Nova Iorque, vai publicar, a 28 de julho, uma edição em inglês da obra completa de Alberto Caeiro. A edição é de Jerónimo Pizarro e Patricio Ferrari, responsáveis pelo volume publicado em 2016 pela portuguesa Tinta-da-China, em que este é baseado. A tradução de Margaret Jull Costa, premiada tradutora de português para a língua inglesa, condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique em 2018, e Ferrari.

Com poemas em português e inglês, esta edição bilingue, em capa mole, inclui uma introdução escrita por Pizarro e Ferrari, fac-símiles dos cadernos de Pessoa e excertos sobre Caeiro e a sua obra do ortónimo e heterónimos, nomeadamente Álvaro de Campos, Ricardo Reis, António Mora e I. I. Crosse. Na altura do lançamento da edição em português, Jerónimo Pizarro explicou ao Observador que, tanto para si como para Patricio Ferrari, “era muito importante publicar a poesia e os muitos, muitos textos que Pessoa tinha escrito sobre Caeiro. Não havia necessidade de separar a compreensão de Caeiro da leitura de Caeiro”.

A capa da edição da New Directions, que chega às livrarias a 28 de julho. É baseada na da Tinta-da-China

Sobre o papel de Caeiro na obra de Pessoa, o especialista explicou que o heterónimo está no centro da ficção pessoana, não por ser o “mestre”, mas por “ter sido direcionado para estar no centro”. “Uma das coisas mais apaixonantes em ler a poesia e a componente da prosa juntas, é perceber Caeiro não como um centro, mas como um centro em processo”, explicou. Isto porque, até à morte de Fernando Pessoa, o autor de O Guardador de Rebanhos nunca deixou de ser um “work in progress”. “Caeiro pode parecer uma coisa constituída, fixa, mas foi a vida toda de Pessoa uma personagem que estava a ser construída. Em 1935, ainda não tinha acabado de ser construído.” É isso que a edição pretende apresentar.

The Complete Works of Alberto Caeiro surge na sequência da publicação, em 2017, pela New Directions de The Book of Disquiet: The Complete Edition, também com edição de Pizarro e tradução de Jull Costa. Muito elogiada pela crítica, foi considerada por alguns a melhor tradução do Livro do Desassossego alguma vez feita para inglês. A editora nova-iorquina, fundada em 1936 por James Laughlin depois de uma sugestão feita por Erza Pound, pretende ainda lançar dois volumes dedicados à poesia de Ricardo Reis e Álvaro de Campos.