As forças de segurança do Egito, sob as ordens do presidente Abdel Fattah el-Sissi, prenderam, torturaram e fizeram desaparecer crianças de 12 anos, acusou esta segunda-feira a organização Human Rights Watch.

A organização não-governamental apelou aos Estados Unidos e aos países da União Europeia para suspenderem qualquer tipo de ajuda ao Egito até que as autoridades do Cairo tomem medidas para contrariar os abusos contra direitos humanos.

As crianças têm sido torturadas através do método do “afogamento” e choques elétricos na língua e nos órgãos genitais, acusa a organização. “As autoridades egípcias atuam sem que sofram qualquer tipo de consequência”, disse Bill Van Esveld, da Human Rights Watch (HRW).

O porta-voz do Ministério do Interior do Cairo mostrou-se indisponível para responder.

Num relatório de 43 páginas, a organização com sede nos Estados Unidos refere abusos cometidos contra 20 pessoas, com idades entre os 12 e os 17 anos. O relatório é acompanhado de depoimentos da organização não-governamental Belady, do Egito, que presta apoio às crianças que vivem na rua e que corroboram os testemunhos.

Os depoimentos destas crianças e familiares revelam que a máquina repressiva do Egito está a sujeitar as crianças a graves abusos”, disse Aya Hijazi, da direção da Belady.

O organismo acusa o sistema judicial do Egito de ter falhado de “forma séria” na investigação dos casos de denúncia de maus tratos a crianças pelas autoridades locais.

Desde 2013, altura em que se registou o golpe militar que afastou a Irmandade Muçulmana do poder no Egito que as autoridades têm lançado operações de perseguição contra dissidentes políticos, incluindo detenções arbitrárias de extremistas islâmicos, advogados pró-democratas. O controlo sobre a imprensa também tem sido constante no país.