O PCP pediu este domingo esclarecimentos à Comissão Europeia sobre que “medidas estão previstas para combater os efeitos perniciosos dos atuais movimentos transfronteiriços de resíduos e a consequente criação de ‘países importadores de lixo'”, anunciou o partido.

Numa pergunta do eurodeputado João Ferreira, os comunistas consideram que a “realidade da exportação e importação de resíduos na União Europeia tem vindo a criar problemas cuja expressão se tende a agravar”, reclamando, por isso, “medidas adicionais face às já previstas”.

Citando a Agência Portuguesa do Ambiente, o PCP lembrou “quem em Portugal importou resíduos de países como Reino Unido, Espanha, Itália, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Malta ou Suécia”, totalizando “2,2 milhões de toneladas de lixo, mais 53% do que em 2017, incluindo 331 mil toneladas de resíduos perigosos”.

“Cerca de um terço deste lixo terá ido parar a aterros”, lê-se ainda na nota de imprensa, lembrando o PCP os “protestos e ações de luta diversas” das “populações que mais diretamente sofrem o impacto dos aterros”.

É o caso da “população de Sobrado, em Valongo, onde o aterro recebe mais de 400 tipos de resíduos, incluindo amianto, e das populações da Azambuja e da Ota, cujos aterros receberão cerca de 79 mil toneladas de lixo importado até 2021”, refere a nota de imprensa.

Citando o alerta de “alguns especialistas” de que, “dentro de alguns anos”, Portugal “estará limitado nas soluções para os seus próprios resíduos, tendo os aterros cheios com lixo estrangeiro”, o PCP quer, por isso, conhecer as medidas da Comissão Europeia “para combater os efeitos perniciosos dos atuais movimentos transfronteiriços de resíduos e a consequente criação de ‘países importadores de lixo'”.