O número de casos e de mortes pelo novo coronavírus em Wuhan sofreu esta sexta-feira um aumento exponencial depois de as autoridades chinesas terem revisto os números previamente anunciados. Assim, foram anunciadas 1.290 mortes por Covid-19 no epicentro da epidemia na China, o que equivale a um aumento de 50% face aos dados anteriores, e 325 novos casos de infeção, elevando o total de mortes para 3.869 e de casos para 50.333.

Esta discrepância entre o número real e o número revelado anteriormente deve-se, por exemplo, ao facto de, no início da epidemia, alguns doentes terem morrido em casa sem assistência médica. Segundo as autoridades chinesas, alguns casos terão também ficado por registar em hospitais, dado o grande volume de trabalho da parte dos profissionais de saúde, sendo reportados apenas mais tarde ou de forma errada. Além disso, informações incompletas relativas a determinadas mortes levaram a repetições ou erros.

Os números foram revistos para “prestar contas à história, às pessoas e às vítimas”, assim como para assegurar a “divulgação aberta e transparente de informação e dados”, afirmaram as autoridades, citadas pela CNN.

O isolamento decretado em Wuhan na sequência da epidemia de Covid-19 foi levantado no início deste mês de abril, depois de a província, onde vivem vários 11 milhões de pessoas, ter estado fechada durante mais de dois para conter a propagação do vírus. Em quase todos os países europeus e nos Estados Unidos da América, a taxa de letalidade é superior a 10%, quase o dobro do registado pela China, mesmo com esta atualização feita pelas autoridades de Wuhan.

Wuhan de regresso à normalidade? A mensagem do regime é essa, mas os habitantes gritam: “É tudo mentira!”

Globalmente, a China registou 26 casos de infeção pelo novo coronavírus (11 locais e 15 importados) nas últimas 24 horas. Trata-se de uma redução dos casos importados, depois de um aumento significativo nos três dias anteriores entre cidadãos chineses que entraram na província de Heilongjiang, no nordeste do país, a partir da Rússia.

Entre os casos de contágio local, cinco foram detetados na província de Guangdong, adjacente a Macau, no sudeste do país, e os restantes nas províncias de Heilongjiang, Shandong e Liaoning. Até às 23h59 desta quinta-feira (16h59 em Lisboa), não foram registadas novas vítimas mortais, 52 pacientes receberam alta e seis deixaram de ser considerados graves. O país voltou a reduzir o número de infetados “ativos”, para 1.081. Destes, 89 estão em estado grave.