O Lar do Comércio, em Matosinhos, conta com 26 idosos infetados com o novo coronavírus, tendo sido registadas três mortes associadas à Covid-19 desde que foi detetado o primeiro caso, a 12 de abril, revelou esta terça-feira a instituição.

Em resposta à Lusa, a instituição, que conta com cerca de 240 utentes residentes, garantiu que “todos os idosos se encontram, no momento, em isolamento nos seus quartos, sendo as refeições e os cuidados aí prestados”.

De acordo com a direção daquele lar, há “cerca de quatro funcionários infetados e 26 utentes, sendo que os restantes testes ainda estão em curso”.

Os testes aos utentes, adiantou a instituição, estão a ser assegurados pela Câmara de Matosinhos, já os funcionários estão a receber indicações para se deslocarem ao Hospital Pedro Hispano para fazerem o rasteio ao novo coronavírus.

À Lusa, a instituição assegurou que tudo tem feito para garantir a segurança dos utentes e funcionários, mas salienta, contudo, que tem já “mais de 60 baixas por colaboradores”.

“Estamos a trabalhar com recursos humanos escassos, pese embora todos os esforços que têm sido envidados no sentido de recrutarmos mais colaboradores”, explica a direção, que reconhece que “por vezes” há que fazer “uma gestão eficaz” dos equipamentos de proteção individual para não venham a faltar.

“Mesmo assim, o nosso primeiro caso de infeção num utente surgiu no dia 12/04/2020 e até à data registamos apenas três mortes por suspeita de Covid-19”, salienta a instituição que está a ser acusada de omitir informação aos familiares dos idosos e de não cumprir os procedimentos de segurança para evitar o contágio.

Estas críticas são rejeitadas pelo Lar do Comércio, que diz ter recebido com “espanto” as “notícias difamatórias e falsas acerca do modo como a Instituição está a lidar com a pandemia da Covid-19”.

A instituição, que conta atualmente com cerca de 240 residentes, para além dos utentes de Apoio Domiciliário e Centro de Dia – agora convertido também em serviço de apoio domiciliário -, salienta que “receber pedidos de informações diários e constantes por parte dos familiares torna-se, na maioria dos momentos, incompatível com a árdua tarefa de cuidar de tantas pessoas, tão dependentes, ao mesmo tempo que tantas outras exigências são impostas, a cada minuto”.

Quanto ao material de proteção, o mesmo tem vindo a ser adquirido ou oferecido pela Câmara de Matosinhos, “mas a escassez de batas descartáveis começa a ser notória”.

Questionada pela Lusa, a Câmara de Matosinhos disse esta terça-feira, em comunicado, estar disponível para colaborar com a direção do Lar do Comércio no sentido de ajudar a resolver os problemas naquela instituição.

O município salienta que, desde o final de março, juntamente com a Autoridade de Saúde Local e a Segurança Social, tem equipas multidisciplinares no terreno, percorrendo todos os lares de terceira idade e centros de apoio a pessoas com deficiência, iniciativa que levou a realizar visita à instituição nos dias 7 e 11 de abril.

À data da vistoria, refere a autarquia, nenhum utente do Lar do Comércio tinha acusado positivo para Covid-19 ou apresentava qualquer sintoma, tendo sido entregue um relatório que resultou dessa mesma visita onde constam todas as recomendações urgentes da equipa técnica.

Além desta iniciativa, a Câmara de Matosinhos implementou um programa de distribuição de Equipamentos de Proteção Individual, tendo entregado até esta terça-feira no Lar do Comércio (apesar de não ter chegado nenhum pedido aos serviços da Câmara Municipal de Matosinhos) 500 máscaras cirúrgicas, 100 máscaras FFP2, 40 viseiras e cinco litros de álcool gel. Foram também disponibilizados serviços de limpeza para as suas viaturas e líquidos desinfetantes para superfícies interiores e exteriores e líquidos para higiene pessoal.

A autarquia sublinha que deu sempre resposta às solicitações das instituições de solidariedade social, tendo posto em marcha uma unidade de rastreio móvel que está a realizar testes em todos os lares e unidades de apoio à deficiência e alugado uma unidade de alojamento para criar um hospital de retaguarda que receba também os idosos que não possam continuar nos lares onde se encontravam.

Em Portugal, morreram 762 pessoas das 21.379 registadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.