A Caixa Geral de Depósitos obteve lucros de 86,2 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, menos 31,6% do que no mesmo trimestre de 2019, um resultado que o banco público considera que reflete “os primeiros impactos económicos resultantes da pandemia Covid-19”.

Apesar de estes impactos apenas se terem começado a sentir “na segunda quinzena de março”, a Caixa sublinha que “as medidas resultantes da declaração de estado de emergência originaram uma redução da transacionalidade e da procura de crédito, quer por empresas, quer por particulares”.

“O primeiro trimestre de 2020 ficou marcado pela emergência da pandemia Covid-19. O Grupo Caixa Geral de Depósitos tem naturalmente sido afetado na sua atividade por via dos efeitos desta pandemia e das medidas tomadas pelas entidades competentes para a sua contenção. Neste contexto, a CGD registou um lucro consolidado de 86,2 milhões de euros nos primeiros três meses de 2020, que comparando com um resultado líquido de 126,1 milhões de euros no mesmo período do ano anterior, se traduz numa redução de 31,6%”, indicou o banco público em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O resultado líquido da Caixa inclui “um reforço da imparidade de crédito” e “provisão para garantias bancárias” no montante de 60 milhões de euros em antecipação dos efeitos expectáveis da crise económica.

Os resultados do trimestre resultam da evolução de várias componentes. Por um lado, explica a CGD, registou-se um comportamento positivo das rubricas de “resultados de serviços e comissões“, “resultados de operações financeiras” e “custos de estrutura“. Nas comissões a Caixa teve um aumento de 2,3 milhões de euros (+1,9%) face ao mesmo trimestre de 2019 e as operações financeiras aumentaram 18,9 milhões de euros (+136,8%). Quanto aos custos de estrutura continuam “numa rota descendente”.

Mas isso não foi suficiente para contrariar a outra componente: o efeito negativo da evolução da margem financeira e dos outros resultados de exploração.

“Nos primeiros três meses de 2020 a margem financeira estrita diminuiu 20,6 milhões de euros (-7,3%) face ao mesmo período do ano anterior, dada a atual conjuntura de taxas de juro, e particularmente os elevados reembolsos antecipados de crédito por parte de entidades públicas ocorridos em 2019, dado o baixo custo de financiamento do Estado”, explica a Caixa.

Quanto aos outros resultados de exploração, a Caixa explicou que “diminuíram 29,4 milhões de euros face ao período homólogo de 2019 (-85,4%)”. Esta variação deve-se não tanto à performance negativo neste trimestre, mas sim ao “impacto positivo nas contas do primeiro trimestre de 2019 da mais-valia resultante da venda do imóvel da Rua do Ouro”.

54 mil clientes solicitaram acesso às moratórias. CGD aprovou 38 mil

Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do trimestre, a equipa de gestão do banco público indicou que já pediram acesso às moratórias de crédito (anunciadas pelo Governo e operacionalizadas por cada banco) mais de 54 mil clientes. Entre estes, 38.238 dizem respeito a clientes particulares e 15.772 dizem respeito a empresas.

Deste total, cerca de 47 mil são elegíveis para aceder à medida, num total de 5,8 mil milhões de euros de capital. Aprovadas até ao momento estão os pedidos de cerca de 38 mil clientes, o que corresponde a crédito num valor de 4,7 mil milhões de euros.