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Right Now: há arte de rua na Underdogs para ver em casa /premium

A partir de sexta-feira e até 13 de Junho, a Underdogs, galeria de Vhils, lança a sua primeira exposição virtual, com peças de 32 artistas durante a pandemia, feitas com o material que têm em casa.

7 fotos

À meia-noite do dia 25 de Abril, Vhils decidia perfurar a parede de sua casa para esculpir a imagem de José Afonso durante o direto do programa de Instagram “Como É Que O Bicho Mexe”, de Bruno Nogueira, com mais de 60 mil pessoas a assistir. Aparentemente, os vizinhos estavam avisados e não houve problemas com o barulho da picareta.

Antes dele, também a street artist e ilustradora Tamara Alves, a trabalhar em casa durante a quarentena, elegia uma parede da sala para, ao som de uma playlist escolhida a dedo, pintar ao vivo a imagem de uma rapariga durante a edição online do Festival Iminente.

[a playlist criada por Tamara Alves para o festival Iminente:]

O festival, também organizado pela Underdogs, a galeria de Vhils, no início de abril, tinha como objectivo angariar fundos para Centro Hospitalar de Lisboa Central e para o Centro Hospitalar de São João, no Porto, e foi um sucesso: juntou perto de 26 mil euros para equipamento hospitalar, quando a meta eram os 15 mil.

“Não avisei a senhoria mas entretanto já pintei a parede [de branco]”, confessa Tamara. “Gosto de ter as paredes mais limpas.”

A artista faz parte do grupo de 32 convidados pela Underdogs para fazer parte de “Right Now”, a exposição coletiva virtual da galeria de Marvila – a primeira “e única” neste formato, esperam – que começa na sexta-feira, 15 de Maio, no site da Underdogs e na plataforma ARTSY.

Sem vernissages nem alaridos, a exposição continua o trabalho feito pela Underdogs em tempos de pandemia e pretende mostrar o olhar de artistas nacionais (20) e internacionais (12) em confinamento em várias partes do planeta. “Encerrámos a galeria há quase dois meses e meio e estávamos a pensar no que poderíamos fazer para continuar a trabalhar e ajudar os artistas”, conta Pauline Foessel, a responsável e curadora. “Surgiu esta ideia de fazer uma exposição online com uma resposta dos artistas sobre o que estamos a viver.”

Nada de ir para a rua. O desafio era, claro, “trabalhar com materiais que tivessem em casa”, continua. Daí que surjam peças em formatos diferentes das que estamos habituados, como é o caso do trabalho apresentado aqui por Vhils, com “portraits em grafite”, sublinha Pauline. “Não é o que ele mostra normalmente, são mais os desenhos antes de fazer a peça” – sem barulho para os vizinhos, portanto.

Tamara escolheu a mesma imagem que pintou em grande escala na parede de casa para esta exposição virtual.

“Ensaiei essa pintura várias vezes. Já tinha feito uma aguarela, acabei por rasgar o papel e serviu como um give-away para ajudar nos donativos e assumi esta como a peça final”, conta. “Como não tenho acesso aos materiais todos que tinha antes, acabei por reutilizar coisas que tinha em casa. O desafio foi esse, sair fora da caixa, reinventarmo-nos.”

O verso dessa pintura inclui outra pintura, da qual não gostou tanto. “Acabei por rasgá-la porque nesta fase o erro e o acidente fazem parte. Toda esta ideia de sermos produtivos e aproveitarmos este tempo para pintar não tem de acontecer.”

Diogo Machado, conhecido como Add Fuel e pelo seu trabalho de reinvenção de azulejos, diz que não consegue “estar quieto” e que durante este tempo fez tudo “menos descansar”.

Desde o início do ano que estava a trabalhar numa exposição que deveria ser inaugurada em Los Angeles no fim Abril. “Felizmente não houve cancelamento. Todos os projectos que tinha a acontecer foram adiados.”

A viver em Cascais, tem a sorte de ter o ateliê perto de casa, o que foi uma grande ajuda durante este tempo. Para a exposição colectiva da Underdogs, não teve de fugir ao seu suporte de trabalho, o azulejo, mas optou por uma colaboração com o estúdio de tipografia Half Studio com duas peças com a mesma mensagem: “Stronger Together”.

“Mais fortes juntos, embora afastados”, remata.

Miguel Januário, conhecido pelo seu alter-ego Mais Menos, aproveitou o estore de casa para deixar uma mensagem: “New World Border”. No 25 de Abril, viu outra simbólica frase sua ser projectada num prédio no Rio de Janeiro durante o Underdogs Projecta, outro desafio da galeria, com projecções em paredes pelo mundo inteiro: “O povo vencido jamais será unido.”

A viver em Nova Iorque, uma das cidades mais afetadas pela pandemia, o ilustrador Bráulio Amado é outro dos artistas convidados para a exposição.

“Tenho sorte, a maior parte das revistas e clientes com quem trabalho agora não podem fotografar pessoas e tenho tido bastante trabalho com ilustrações, principalmente para o New York Times e para a New York Magazine.”

No entanto, o trabalho que mais faz e que lhe deu fama, “posters para bandas, concertos e DJs”, está parado. Para esta exposição fez duas peças. “Uma puramente abstracta, para limpar a cabeça, e a outra, [mais relacionada com a pandemia] um retrato de uma pessoa a andar”.

Além deles, “Right Now”, online até 13 de Junho, inclui trabalhos de nomes como Wasted Rita, AkaCorleone, Okuda san Miguel, Clemens Behr, Maria Imaginário, Mário Belém, André Saraiva, Ernest Zacharevic, Pixel Pancho, Mário Belém ou André da Loba.

Se tudo correr bem, depois disso, a Underdogs de Marvila deverá reabrir em Julho. “Esperamos ter as peças nas paredes e que as pessoas possam ver ao vivo” diz Pauline, a curadora. Apesar disso, e com um novo site, mesmo a tempo desta exposição, vão continuar a mostrar online as peças das exposições que irão ter. “Para que as pessoas que não estão em Lisboa possam ver.”

“Right Now”, de 15 de Maio a 13 de Junho em www.under-dogs.net e em www.artsy.net

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