Já são mais de 280 mil os casos de infeção pelo novo coronavírus confirmados na Rússia — 281.752 este domingo, segundo a Universidade Johns Hopkins —; e se mais de metade foram registados em Moscovo, que já é conhecida como um dos epicentros mundiais da pandemia, com 142.824 casos, a Covid-19 começa a alastrar ao resto do país.

Não existe, ao longo dos mais de 10.000 quilómetros que separam os extremos oeste e leste da gigantesca Rússia, o país dos 11 fusos horários e das abissais diferenças sócio-económicas, uma só região onde ainda não tenha sido confirmado pelo menos um caso de doença, aponta a CNN este domingo.

A situação tornar-se-á tanto mais complicada como os novos focos de infeção se localizem nas regiões mais pobres — Vladimir Putin já informou os 85 chefes regionais do país que a decisão sobre se devem ou não manter-se medidas restritivas de contenção da doença deverá ser tomada localmente.

“Temos um grande país. A situação epidemiológica varia de região para região. Já antes tivemos isso em conta, e agora, na fase seguinte, temos de agir de forma ainda mais específica e cuidadosa”, disse o presidente russo na passada segunda-feira, em videoconferência.

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Apesar de o número de mortes no país, que é o segundo mais afetado em todo o mundo pela pandemia, a seguir aos Estados Unidos, ser tão reduzido — 2.631 no total; enquanto nos EUA já morreram mais de 89 mil pessoas —, as autoridades russas mantêm que não há manipulação de estatísticas nem ocultação de cadáveres num país onde a propagação é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “clusters de casos” e não “transmissão na comunidade”, como acontece na larga maioria dos países com mais infetados.

À medida que o foco da doença se desloca da capital para as outras regiões do país, o medo de que o sistema de saúde entre em falência também aumenta, faz notar ainda a CNN, fazendo referência a um vídeo, postado no YouTube por uma conhecida jornalista russa, que revela as condições precárias em que trabalham os médicos em Ivanteyevka, uma cidade a apenas 16 quilómetros de Moscovo — onde não falta nada nos hospitais.