Mudam-se os tempos, mudam as necessidades. A pandemia do novo coronavírus ditou alterações mundiais no comportamento dos consumidores e a Kia não está alheia a isso. Daí que a marca sul-coreana assuma o interesse em lançar um rival do Ami, o pequeno veículo eléctrico que a Citroën vai colocar na estrada ainda este ano, por um preço extraordinariamente acessível: 19,99€/mês com sinal de 2641€, em caso de assinatura, ou 6900€ na compra, em França.

De acordo com o director de operações da Kia Motors Europe, Emilio Herrera, “nos dias que correm, as pessoas querem sentir-se seguras”. E essa sensação de segurança passa por valorizar deslocações com menos risco. “Isso tornou-se evidente numa pesquisa realizada após o coronavírus na China, que concluiu que as pessoas mudaram do transporte público para transporte privado”, declarou Herrera à Auto Express.

Emilio Herrera

Para ir ao encontro dessa tendência dos consumidores e, simultaneamente, alargar o portefólio de modelos zero emissões da Kia, o construtor vê com bons olhos a aposta num modelo eléctrico e extremamente compacto, para deslocações em cidade com zero emissões e mais ágeis – desde logo, porque as medidas compactas facilitam o estacionamento. A estes argumentos junta-se agora a questão da segurança, pois o recurso a este tipo de transporte, em vez do metropolitano, autocarro ou comboio, reduz os riscos de contaminação.

Citroën Ami. Um eléctrico que custa 20€/mês

Como o carsharing também deixou de ser tão atractivo, pelo mesmo motivo – o receio de contágio -, o director de operações da Kia Motors Europe considera que o microcarro sul-coreano será tão mais interessante quanto mais baixo for o encargo que representa. “Vemos um real potencial” em disponibilizar esse tipo de veículos para “uso urbano”, avançou Herrera à referida publicação, adiantando que em cima da mesa estão projectos L6 e L7, mas 100% eléctricos. Ou seja, viaturas leves (abaixo dos 350 ou dos 400 kg, respectivamente, sem incluir as baterias) e pouco potentes, tanto mais que a velocidade máxima está limitada a 45 km/h.

O responsável da Kia assume que a marca vê com bons olhos o modelo de negócio do Ami e que também ela vai se concentrar no factor “custo”. Para se constituir mesmo como uma alternativa ao transporte público, o quadriciclo sul-coreano vai apostar em assinaturas acessíveis e flexíveis. “A ideia é alugá-lo à semana ou ao mês” por valores “mensais muito baixos”. Para ser “muito barato para os consumidores”, o projecto vai ser global, o que lhe permite retirar proveito da escala e, assim, reduzir custos.