A Citroën não fez por menos e arrancou logo a matar na sua ofensiva eléctrica. Lembra-se de aqui lhe termos falado do “mata-velhos” do futuro? Pois bem, o protótipo apresentado pela marca do duplo Chévron na última edição do Salão de Genebra acaba de ganhar a forma de modelo de produção. Chama-se Ami 100% ëlectric e é o primeiro modelo exclusivamente a bateria da nova vaga de veículos amigos do ambiente da Citroën. É pequeno, é giro, parece ser funcional e, sobretudo, tem um preço capaz de nos fazer esquecer, por momentos, que está limitado a 45 km/h. Tal como acontece, aliás, nos quadriciclos tipo “mata-velhos”.

Para assumir o volante desta nova máquina, não há grandes requisitos a cumprir:  basta estar habilitado com uma licença de categoria B1, a mesma das motos de 50 cc que se podem conduzir aos 16 anos. E será justamente porque apela a uma clientela mais jovem que este eléctrico se dará ao luxo de apostar sobretudo num novo esquema de comercialização, apoiado no online. Simples e fácil, desde que haja ligação à Internet, nem é preciso sair do sofá para configurá-lo. Depois, o Ami é entregue em casa do cliente por um técnico, denominado product genius, que explica tudo.

Em alternativa, os mais conservadores poderão vê-lo e até adquiri-lo em alguns dos concessionários oficiais da marca, estando igualmente prevista a sua venda em lojas como a Fnac e a Worten. Em França, é proposto por 6900€, com o preço em Portugal a não diferir muito deste valor, sendo elegível para usufruir das ajudas governamentais de que já beneficiam as bicicletas e as motos eléctricas.

Contudo, comprar pode até nem ser a opção mais interessante, pois há outros valores em cima da mesa, acessíveis a praticamente todas as carteiras, porque a Citroën está apostada em fazer deste modelo uma alternativa realmente barata. O Ami 100% ëlectric vai poder ser alugado ao minuto, à hora, ao dia, ao mês ou ao ano. Mais flexível será difícil, sendo que em França a mensalidade está fixada em 19,99€, por uma locação de dois anos. Em Portugal, ao que o Observador apurou, decorrem negociações com o Santander nesse sentido, sendo de esperar uma mensalidade similar.

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A confirmar-se, mais do que uma séria dor de cabeça para rivais como o Renault Twizy ou o futuro Seat Minimò, o Ami vai fazer poucos amigos entre os que alugam trotinetas. Em França, a utilização ao minuto é cobrada a 0,26€ e, também por cá, o pequeno Citroën vai entrar no circuito do car sharing, com a marca a adiantar ao Observador que o Ami conta já com um leque de empresas a operar neste sector interessadas em integrá-lo nas respectivas frotas.

Mas, até onde pode ir o Ami 100% ëlectric? A melhor estimativa aponta para 70 km, uma autonomia que é perfeitamente razoável para aqueles cujo trajecto diário corresponde à deslocação da periferia para a cidade, ou que nem sequer saem da cidade. E é nos grandes centros urbanos que o pequeno eléctrico pode fazer a diferença, pois as suas medidas compactas (2,41 m de comprimento; 1,39 m de largura; 1,52 m de altura) prometem ser uma bênção na altura de encontrar um “buraquinho” para estacionar.

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Há, naturalmente, limitações. O espaço interior não convida a que o peso dos dois ocupantes rivalize com o do próprio veículo (435 kg). O lugar do condutor, a que se acede abrindo a porta ao contrário (a do “pendura” abre de modo convencional) pode ser regulado, o que não acontece com o do outro ocupante. Lá está um pequeno painel de instrumentos digital, mas o verdadeiro “cérebro” do Ami é o smartphone, que por isso tem direito a ser colocado em posição central num suporte próprio. Através dele, são possíveis os comandos por voz com Android Auto ou Apple CarPlay, navegar e, com a aplicação My Citroën, saber a autonomia que ainda nos resta ou o estado da carga da bateria. O quadriciclo carrega a bateria com 5,5 kWh apenas em AC numa ficha de casa a 220V, operação que tarda 3 horas. Já com um fusível de 16 amperes atinge 3,4 kW, o que lhe permite fazer uma carga completa em 1,5 horas.

De resto, destaque para a possibilidade de tornar a irreverência mais pessoal, pois uma série de elementos exteriores e interiores desafiam à personalização. Outro pormenor que convoca a história da marca, para além do nome deste modelo, tem a ver com os vidros das portas que, tal como acontecia no 2CV, dobram ao meio.