Não é um documentário, é mais um “track by track”, uma explicação tema a tema que ilustra o processo de feitura do mais recente álbum de Capicua — rapper e cantora portuense que começou a fazer música nos anos 2000 e que se consolidou em definitivo na música nacional com o disco Sereia Louca, editado em 2014 e um marco importante na popularização da sua música. E pode vê-lo aqui:

O novo álbum foi “quase totalmente” gravado enquanto a rapper, que tem como nome de batismo Ana Matos Fernandes, estava grávida — daí o próprio título Madrepérola, que Capicua chegou a descrever como uma “clara alusão à maternidade”, ou as letras de canções como “Parto Sem Dor” (que parte de uma lenga-lenga de Sérgio Godinho, uma das maiores referências da portuense na escrita) e “Último Mergulho”.

Capicua: “Houve pessoas que foram pela primeira vez a um concerto de rap porque eu fiz música”

O álbum conta com produções instrumentais de Stereossauro, DJ Ride, Minus, Holly, Virtus e da dupla Branko e PEDRO, entre outros, e com participações vocais de cantores como Camané, Mallu Magalhães, Ricardo Ribeiro e Lena d’Água. Também figuram como convidados elementos destacados do hip-hop brasileiro atual, como Karol Conka, Emicida, Rael e Rincon Sapiência.

O novo disco de Capicua, sucessor de Sereia Louca mas também dos projetos Medusa (de remisturas) e Mão Verde (inspirado por um universo infantil), foi descrito pela cantora como um álbum mais “solar”. Aquando do lançamento, em entrevista ao Observador, Capicua explicava: “Senti que já dominava os temas mais político-sociais e as coisas mais emocionais, mas não dominava aquilo que os brasileiros e africanos fazem com grande classe, que é fazer música alegre que não soe pateta.”