O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vetou na quarta-feira a transferência de 8,6 mil milhões de reais (1,5 mil milhões de euros) do Fundo de Reservas Monetárias (FRM) para estados e municípios combaterem a Covid-19.

A decisão foi publicada em Diário Oficial da União e veta a transferência da verba para governadores e prefeitos, que tinha sido aprovada em maio pelo Congresso brasileiro.

Bolsonaro também vetou outras partes do texto aprovado pelos parlamentares, como a repartição do dinheiro entre estados e municípios para a compra de materiais de prevenção da pandemia do novo coronavírus.

O chefe de Estado apenas sancionou a extinção do Fundo de Reservas Monetárias, que já se encontrava inativo.

O FRM foi criado em 1966 e era abastecido com reservas do Imposto sobre Operações Financeiras, usadas para intervenção nos mercados de câmbio e na assistência a bancos e instituições financeiras.

Ao justificar o veto à transferência dos recursos, Bolsonaro argumentou que o Congresso, ao alterar o destino final dos recursos oriundos da extinção do fundo, viola o princípio constitucional que proíbe emendas parlamentares de aumentar despesas em projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República do Brasil.

O chefe de Estado advogou ainda que a nova aplicação do fundo desrespeita a política do teto de gastos, que proíbe a criação de despesa obrigatória ao poder executivo sem a demonstração de impacto orçamentário e financeiro no exercício corrente e nos dois anos seguintes.

Caberá agora ao Congresso analisar o veto presidencial, que poderá ser mantido ou anulado, não havendo previsão de quando a questão será analisada.

O presidente da Câmara dos Deputados brasileira, Rodrigo Maia, mostrou-se surpreendido com a decisão de Bolsonaro.

“A informação que eu tinha dos deputados era que tinha ocorrido um acordo, inclusive para a destinação desses recursos. De facto, surpreendeu o veto do governo em relação a esses 8,6 mil milhões de reais. É um direito do Presidente [vetar]. Cabe ao Parlamento chamar uma sessão do Congresso e decidir pela manutenção ou derrubada [anulação] do veto”, disse Maia aos jornalistas, após ser confrontado com a decisão de Bolsonaro.

Bolsonaro indicou, em Diário Oficial da União, que decidiu pelos vetos após discutir o tema com o Ministério da Economia e a Advocacia-Geral da União.

Originalmente, o valor do fundo estava destinado para o pagamento da dívida pública federal brasileira.

O Brasil totalizou na terça-feira 31.199 óbitos e 555.383 casos de infeção pela Covid-19, sendo o segundo país do mundo com mais infetados e o quarto com mais mortes.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 382 mil mortos e infetou mais de 6,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,7 milhões de doentes foram considerados curados.