O Presidente da República felicitou esta sexta-feira o PSD por apresentar um programa de recuperação económica de médio prazo e afirmou esperar que Governo e partidos percebam a sua importância e o debatam.

Marcelo Rebelo de Sousa falava à agência Lusa antes de um almoço a sós com o presidente do PSD, Rui Rio, num restaurante em frente ao Tejo, em Lisboa.

Aproveito, aliás, esta ocasião para felicitar o líder da oposição e o PSD pelo plano que apresentou para o país, porque, num momento em que nós ainda estamos a discutir um plano de estabilização até ao fim do ano, o PSD avançou com um plano a médio prazo”, declarou.

Com Rui Rio ao seu lado, o chefe de Estado defendeu que Governo e partidos “ganhavam em perceber a importância desta proposta e em debatê-la, porque o orçamento suplementar está decidido daqui a duas ou três semanas, mas os problemas do país vão muito para além disso”. “E no fim do verão já estamos a discutir o Orçamento [do Estado] para 2021 e para 2022 e a começar a pensar nesse futuro a médio prazo. Logo, há aqui uma base de debate para o futuro”, sustentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o programa de recuperação económica apresentado pelo PSD na quarta-feira constitui “uma perspetiva nova” neste período de pandemia de Covid-19, em que se tem estado “em cima da hora a resolver os problemas do momento”.

“A primeira proposta de médio prazo que aparece é a do PSD”, considerou, referindo que o seu alcance vai “para além do Orçamento [do Estado] para 2021 e para 2022, com uma política económica e financeira global a pensar no futuro a prazo de Portugal, e muito aberta”.

Foi elaborada num esforço coletivo, e com uma participação muito ampla. É aberta porque está aberta ao diálogo, não é para ser um projeto fechado. O que o PSD propõe para o país é um projeto aberto para discutir com os outros partidos, quer com o partido do Governo, quer os outros partidos com assento parlamentar”, salientou.

Questionados sobre o programa de estabilização económica e social aprovado em Conselho de Ministros e apresentado na quinta-feira, nem o presidente do PSD nem o Presidente da República quiseram comentar o seu conteúdo. Rui Rio alegou não ter tido ainda “oportunidade de o ver com o detalhe necessário para poder falar”.

O Presidente da República fez saber que o Governo lhe apresentou “umas linhas gerais na véspera da aprovação no Conselho de Ministros”, mas disse que “seria prematuro” estar a comentar “uma realidade que acabou de ser apresentada e que supõe muitas iniciativas legislativas de aplicação”.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou apenas que se trata de “um quadro de urgência, de curtíssimo prazo” e que implicará “uma série de iniciativas que passarão pelo parlamento e depois irão às mãos do Presidente”.

Marcelo acompanha “com maior atenção” posição do PSD sobre presidenciais

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda esta sexta-feira que acompanha “com maior atenção” aquilo que é transmitido sobre a posição do PSD quanto a uma eventual recandidatura sua a Presidente da República, por ser o partido a que pertence.

Questionado sobre a promessa feita por Rui Rio em entrevista à TSF de que o PSD tomará “uma posição pública” sobre uma recandidatura sua logo “no dia a seguir” a esta anunciada, Marcelo Rebelo de Sousa começou por responder que não se pronuncia sobre esta matéria.

Mas acompanho com muita atenção aquilo que é dito. E dito pelo líder da oposição e líder do partido ao qual pertenci e pertenço desde a fundação, isso, naturalmente acompanho com maior atenção”, acrescentou, sorrindo, com Rui Rio ao seu lado.

Em entrevista à TSF esta sexta-feira divulgada, Rui Rio declarou que “obviamente o mais provável” será o apoio do PSD a uma recandidatura do atual Presidente da República, e afastou a possibilidade de o partido “não ter posição e dar liberdade de voto” em relação às presidenciais. O presidente do PSD alegou que Marcelo Rebelo de Sousa não foi “absolutamente taxativo” sobre o assunto.

Quanto à expectativa manifestada pelo primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, de regressar com o atual Presidente da República à fábrica da Autoeuropa num segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Rio desdramatizou esse gesto e até o considerou positivo.

“Como é que pode incomodar o PSD quando um militante seu recebe, em tão altas funções como Presidente da República, o apoio do nosso maior adversário? É até de certa forma honroso para o PSD”, sustentou.