Carlos Carreiras admite criar medidas mais severas para controlar o surto em Cascais, incluindo uma “cerca sanitária aos transportes” para evitar a entrada de possíveis infetados no concelho. Se no prazo de uma semana a sobrelotação verificada nas carreiras intermunicipais não for resolvida, o presidente da câmara de Cascais admite que será feito um transbordo de passageiros à entrada do concelho de maneira a garantir as condições de segurança pública.

“Em Cascais assumimos os transportes municipais, temos capacidade de agir nas carreiras municipais. Verifica-se um excesso de lotação nos autocarros nas carreiras intermunicipais que não cumprem as regras de saúde pública. É preciso pôr termo a tudo isso”, disse esta quarta-feira de manhã em declarações à Rádio Observador.

Cascais dá “grito de alerta” e quer “cerca sanitária nos transportes públicos”. A entrevista a Carlos Carreiras

O “grito de alerta” para resolver uma “situação que se arrasta há demasiado tempo” implica parar os autocarros intermunicipais e garantir o transbordo dos passageiros para as carreiras municipais nas fronteiras do município nas horas de ponta, de manhã e à tarde, alturas em que se verifica a sobrelotação nos transportes. Carlos Carreiras admite também a possibilidade de ser medida a temperatura a todos os passageiros. O transbordo não terá custos adicionais para residentes, trabalhadores e estudantes.

“Obviamente que a circulação de pessoas entre concelhos continua a ser possível”, disse à Rádio Observador, afirmando que “está em causa 150 milhões de euros que a autoridade metropolitana de transportes não dispõe”. “Não se pode falar em falta de coordenação, mas sim em falta de financiamento para garantir que há pagamento para que haja carreiras que possam cumprir as regras sanitárias. É uma questão de meios e de financiamento.”

O problema verificado coloca-se também ao nível dos comboios, com Carlos Carreias a afirmar que tem conhecimento de que em alguns horários há sobrelotação, mas “nos comboios a autarquia não tem nenhuma competência legal”.

“Seria bom que Medina exercesse já [o poder] nesta matéria dos transportes”

Questionado sobre se concorda com a críticas feitas por Fernando Medina — que na segunda-feira apontou muitas falhas ao combate à pandemia —, Carlos Carreiras começou por elogiar a cooperação entre o concelho de Cascais e a ministra da Saúde, Marta Temido, e o secretário de estado Duarte Cordeiro. “Cada um fala sobre a experiência que tem. Tive a oportunidade de falar com a senhora ministra da Saúde e com o secretário de estado Duarte Cordeiro. Fiz um conjunto de propostas para melhorar essa mesma cooperação. Passado uma hora tinha um telefonema do secretário de estado a dizer que as minhas propostas faziam todo o sentido e que iam agir em conformidade. O que é certo é que agiram em conformidade”, disse.

Medina aponta muitas falhas ao combate à pandemia. “Com maus chefes e pouco exército não conseguimos ganhar esta guerra”

Referindo-se à situação complexa vivida na Àrea Metropolitana de Lisboa, Carreiras assegurou não ter pretensão de “gerir o concelho de Lisboa”, mas sugeriu que Fernando Media revolva a questão dos transportes. “Levaria para que se aplicasse essas críticas do presidente da câmara municipal de Lisboa na questão dos transportes. Ele também é presidente da AML, aí tem uma consequência direta de poder resolver à escala dele, das competências legais que tem. Portanto, seria bom que ele exercesse já [o poder] nesta matéria dos transportes.”

Carlos Carreiras deixou ainda um apelo à “necessidade absoluta de haver uma coligação nacional”, isto é, uma coligação de vontades e de experiências, e uma “interligação cada vez mais forte entre poder central e poder autárquico”.

Novo surto em lar no concelho de Cascais. Há seis pessoas infetadas

Em declarações à Rádio Observador, Carlos Carreiras confirmou ainda a existência de mais um surto num lar do concelho além daquele verificado em São Domingos de Rana. O novo surto, agora em Alcabideche, terá começado numa funcionária. Ao todo, há seis pessoas infetadas (duas funcionárias e quatro utentes). “A situação está a ser controlada. Estamos todos a correr atrás do assunto”, disse o presidente da Câmara de Cascais.