O festival Citemor volta a repartir-se entre Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, de 24 de julho a 08 de agosto, com uma programação mais reduzida devido à pandemia da covid-19.

Uma edição das “Conversas Fictícias” do artista visual e realizador catalão Ignasi Duarte com o escritor Gonçalo M. Tavares, a apresentação de “Atlântico”, de Tiago Cadete, uma instalação de Horácio Frutuoso ou a peça “Primeiro Mandamento — Romeu e Julieta”, da Útero, são algumas das propostas da 42.ª edição do festival de artes performativas.

A não realização do Citemor ainda chegou a estar em cima da mesa devido à pandemia da covid-19, mas acabou por ir em frente, mesmo com o “tempo a correr” contra a organização, contou à agência Lusa o diretor artístico do festival, Armando Valente, salientando que a equipa já está “algo treinada a trabalhar com muitas variáveis, em cenários complexos e a tomar decisões no limite”.

“A nossa preocupação foi primeiro avaliar os processos que estavam em criação e que eram desenvolvidos em residência, e em que ponto estavam. Queríamos que a produção não fosse tão afetada e contribuir na nossa pequena escala”, salientou.

Face à pandemia, quatro dos espetáculos que estavam programados para esta edição não se vão realizar, porque seria necessário “mais calendário, mais salas, mais logística e mais equipa para desdobrar toda a programação”, explicou.

Apesar do atual contexto, o festival conseguiu preservar uma das suas características – o apoio à criação -, mantendo residências artísticas, mesmo que tivessem sido encurtadas devido à pandemia, como é o caso do coletivo Orquestina de Pigmeos, cujos dois primeiros momentos de trabalho no terreno não aconteceram, explicou Armando Valente.

A programação mostra “uma diversidade nas disciplinas artísticas e formas distintas de entender a criação artística contemporânea”, ao mesmo tempo que promove “encontros prováveis e outros improváveis”, notou o diretor artístico do Citemor.

O certame arranca no dia 24, em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, com um espetáculo de Tiago Cadete, cujo trabalho se situa entre as artes performativas e visuais, sendo que no mesmo dia é inaugurada a instalação de Horácio Frutuoso na Casa das Artes Bissaya Barreto, que estará patente até ao último dia do festival, 08 de agosto.

Seguem-se quatro apresentações no Castelo de Montemor-o-Velho, sendo a primeira uma peça da Útero, no dia 25, que nasce da ideia de “remontar as partituras que Serguei Prokofiev criou para ballet”, explica a organização.

No dia 31, decorre uma edição das “Conversas Fictícias”, do catalão Ignasi Duarte, que volta a contar com o escritor Gonçalo M. Tavares, e, a 01 de agosto, a estreia de um projeto de Óscar Cornago e Juan Navarro, resultado de uma residência artística.

“Falsos Amigos”, uma co-criação de Miguel Pereira e do coreógrafo catalão Guillem Mont de Palol, é apresentada em 07 de agosto, também em Montemor-o-Velho.

A 42.ª edição do Citemor termina na Figueira da Foz, com uma apresentação de Nilo Gallego e Chus Dominguez, do coletivo Orquestina de Pigmeos, que pretende abordar a relação com o rio Mondego, o sal e a água.