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Rúben, um bad boy com mais fama do que proveito que só precisa de ser amado (a crónica do Gil Vicente-Tondela) /premium

Tondela teve meia hora que chegava e sobrava para a manutenção mas depois de dar uma hora de jogo para o Gil Vicente brilhar e deixar que Rúben Ribeiro marcasse pela quarta vez nem cinco jogos (3-2).

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Rúben Ribeiro marcou um golo, fez uma assistência e desequilibrou na melhor fase do Gil Vicente no jogo

Miguel Pereira

Rúben Ribeiro marcou um golo, fez uma assistência e desequilibrou na melhor fase do Gil Vicente no jogo

Miguel Pereira

É um dos tabus preferidos do futebol português e ganhou outra amplitude de variedades nos últimos anos. Após ter conseguido subidas seguidas desde 2013 com Arouca, Moreirense, U. Madeira, Desp. Chaves e Portimonense, em 2018 Vítor Oliveira fez uma inversão no rumo da carreira e trocou um projeto para os lugares cimeiros na Segunda Liga (e convites não lhe faltaram, longe disso) pelo principal escalão, ficando mais uma temporada nos algarvios que tinham um lugar especial no coração por terem sido o clube onde acabou o trajeto como jogador e iniciou o de técnico. A seguir, nova mudança. Regresso à Segunda Liga? Não, permanência na Primeira Liga e com uma equipa a começar do zero, o Gil Vicente, que voltou à 1.ª Divisão por decisão administrativa. E agora?

Durante a pandemia, mais concretamente na segunda semana de abril, Tiago Lenho, diretor desportivo dos gilistas, tinha colocado uma data para o anúncio em relação ao futuro. “Tem gerido assim a sua carreira e com os bons resultados que se conhecem. É uma conversa que vamos certamente ter quando a manutenção for efetivada, até porque será do interesse do Gil Vicente continuar com alguém que cumpre os seus objetivos. Não apontamos já metas pontuais para isso, até porque o mister também não o faz”, disse. Ou seja, e trocado por miúdos, primeiro a permanência, depois a conversa para renovar. No entanto, o futuro acabou por trazer uma outra realidade.

“A minha próxima época diz respeito a mim. Como sabem, o Gil Vicente já tem novo treinador e, por consequência disso, não pode ter dois. Vou sair do Gil Vicente, mas ainda não decidi para onde vou”, disse Vítor Oliveira antes do jogo em Alvalade frente ao Sporting, onde no final deixaria mais uma “farpa” dizendo a esse propósito que não era bom para a equipa, para o plantel e para o grupo de trabalho haver já o nome do novo treinador (Rui Almeida) a circular de forma pública. “Não tenho compromisso com ninguém, o que é normal em mim. Vou sair, já tinha manifestado há bastante tempo à direção do clube que não queria continuar. A direção resolveu arranjar um novo treinador, tem toda a legitimidade para isso, não tinha era legitimidade para o tornar público, porque provoca sempre alguma instabilidade no plantel”, atirou na conferência de imprensa após a partida com os leões.

Como confidenciou recentemente, a ideia de Vítor Oliveira após acabar a carreira de jogador não era ser treinador mas sim voltar ao curso de engenharia e seguir esse caminho profissional. “Surgiu um convite do Portimonense, recusei numa primeira fase, mas depois acabei por aceitar. Em boa hora o fiz. Tive um percurso positivo, um percurso que me marcou, um percurso que me deu uma situação estável na vida e que me permite estar naquilo que gosto. Penso que foi uma boa opção, embora não pensasse que pudesse enveredar por aqui”, confessou. 35 anos depois, cumpridos na totalidade em Portugal, conseguiu 11 subidas à Primeira Liga e leva mais de 400 jogos no primeiro escalão. Experiência não lhe falta. E foi essa experiência, esse “calo” de quem conhece a realidade do futebol nacional como ninguém, que lhe permitiu vencer o Rio Ave (casa) e o V. Guimarães (fora) nas últimas jornadas, carimbando os 39 pontos que valiam agora ao Gil Vicente o nono lugar da classificação.

Agora teria pela frente um Tondela desesperado por pontos, com uma única vitória depois da paragem (Desp. Aves em casa) e com apenas sete pontos nas últimas 12 jornadas, com quatro empates e sete derrotas à mistura. Natxo González, espanhol que se estreia na Primeira Liga e que lamentou a perceção de que quem faz mais barulho em Portugal consegue ter outras análises por parte dos árbitros, pedia um comportamento semelhante à equipa mas com resultado diferente. “Temos de fazer o mesmo como temos feito nos últimos três jogos, temos de transformar isso em pontos. Temos de seguir ao nível coletivo como estamos e melhorar a pontaria, que é o que está no nosso controlo e, no incontrolável, ter um pouco mais de sorte. A margem é cada vez menor, temos menos tempo e os pontos são os mesmos. O Tondela não está bem em resultados mas não está tão mal em muitas coisas. O nível emocional dos jogadores é um deles, a equipa está bem e tem tido um bom rendimento”, salientou.

Em termos coletivos, e à semelhança da campanha de ambos os conjuntos na Primeira Liga, o Gil Vicente foi quase sempre melhor do que o Tondela mas foi nas individualidades que surgiram os principais fatores de desequilíbrio, com Rúben Ribeiro mais uma vez em destaque não só pelo golo (quarto nos últimos cinco jogos) mas também pelos rasgos que o bad boy que diz ter mais fama do que proveito foi deixando no jogo. Aliás, e mais uma vez, a partida acabou e a questão ficou na mesma: com 32 anos, após uma passagem de seis meses pelo Sporting marcada pela invasão à Academia e posterior rescisão unilateral (sendo um dos dois únicos casos que ainda estão na justiça, a par de Rafael Leão), já depois de grandes épocas no Boavista ou no Rio Ave, o avançado podia ter feito uma carreira diferentes do que aquela que teve a nível de oportunidades. Porque, na verdade, o número 70 só precisa de ser amado e de contar com um treinador que saiba trabalhar as suas mais valias – como Vítor Oliveira faz.

Ficha de jogo

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Gil Vicente-Tondela, 3-2

32.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Cidade de Barcelos

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Gil Vicente: Denis; Alex Pinto, Ygor Nogueira, Rúben Fernandes, Edwin Venté; Soares, Claude Gonçalves (João Afonso, 90+1′); Samuel Lino (Lourency, 67′), Kraev (Vítor Carvalho, 77′), Rúben Ribeiro (Baraye, 77′) e Sandro Lima (Hugo Vieira, 67′)

Suplentes não utilizados: Bruno, Rodrigo, Fernando Fonseca e Ahmed

Treinador: Vítor Oliveira

Tondela: Babacar Niasse; Moufi (Strkalj, 67′), Philipe Sampaio, Yohan Tavares (Jota, 75′), Filipe Ferreira; Pepelu, João Pedro (Telmo Arcanjo, 75′); Murillo, Jonathan Toro (Rúben Fonseca, 84′), Richard Rodrigues (Ricardo Valente, 67′) e Ronan

Suplentes não utilizados: Diogo Silva, Tiago Almeida, Jaquité e Pedro Augusto

Treinador: Natxo González

Golos: Rúben Ribeiro (29′), Rúben Fernandes (57′), Kraev (63′), Yohan Tavares (73′) e Philipe Sampaio (84′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Edwin Vente (41′), João Pedro (51′), Ygor Nogueira (71′), Pepelu (81′), Murillo (87′) e Ricardo Valente (90+1′)

O encontro começou a refletir o estado anímico dos dois conjuntos mas que igual número de oportunidades (zero). Do lado do Gil Vicente, que tinha Vítor Oliveira de polo de gola para cima descansado da vida a ver o encontro do banco, muita vontade de todos os jogadores participarem nas ações em posse, muita mobilidade e muita calma, de quem tem a vida resolvida e está a fazer o que gosta. No Tondela, que tinha Natxo González de camisa muitas vezes de pé a dar indicações, muitos passes falhados, muitas precipitações, muitas bolas que queimavam e que nesses movimentos dificilmente chegavam ao último terço. Assim, e à exceção de um remate aproveitando uma insistência na área de Philipe Sampaio, foram os minhotos que conseguiram ir criando as melhores situações e inauguraram o marcador com um grande golo de Rúben Ribeiro, num remate colocado de fora da área (29′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Gil Vicente-Tondela em vídeo]

É certo que os visitados marcaram no único remate enquadrado do primeiro tempo mas foram melhores em todos os aspetos do encontro em comparação com os beirões, fosse na quantidade, fosse na qualidade. E, mérito seja dado, o Tondela ainda corrigiu alguns erros posicionais para a segunda parte, onde entrou com outra vontade e desenvoltura mesmo sem criar na mesma grandes oportunidades. No entanto, o segundo golo do Gil Vicente, na sequência de um canto ao segundo poste com assistência para o desvio de Rúben Fernandes sem hipóteses para Babacar Niasse (que não comprometeu mas também não fez esquecer Cláudio Ramos), aos 57′, quebrou essa reação antes do 3-0 de Kraev, outro dos destaques do jogo, a concluir uma boa jogada coletiva (64′). O jogo parecia acabado mas os visitantes nunca desistiram de pelo menos um ponto que faria muita diferença no final da jornada e, depois de Yohan Tavares ter reduzido num canto (73′), Philipe Sampaio fez o 3-2 a seis minutos do final que deixou tudo em aberto para um final emocionante.

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