Os lares e hospitais do Reino Unido vão passar a disponibilizar, a partir da próxima semana, dois novos testes rápidos que permitem distinguir o novo coronavírus da gripe e apresentar resultados em 90 minutos, segundo avançou, esta segunda-feira, a BBC, citando o governo britânico. Um dos testes é realizado com recurso a zaragatoa e o outro a ADN encontrado na saliva, permitindo diferenciar a Covid-19 de outras doenças sazonais.

Quase meio milhão destes novos testes de zaragatoa, chamados LamPORE, já estarão disponíveis na próxima semana, sendo lançados mais no final do ano. Atualmente, três quartos dos resultados são apresentados em 24 horas e um quarto pode levar até dois dias.

O ministro da saúde britânico, Matt Hancock, descreveu esta nova tecnologia como “um grande passo em frente”, adiantando, ainda, que um dos principais objetivos é atingir os 500 mil testes testes por dia até ao final de outubro de forma a “testar pessoas que não apresentam sintomas para descobrir onde está o vírus”, referindo-se, em particular, ao ambiente escolar. E acrescentou: “O facto de estes testes detetarem a gripe, assim como a Covid-19, será extremamente benéfico à medida que chegamos ao inverno, para que os pacientes possam seguir os conselhos certos para se protegerem e protegerem os outros”.

Em declarações à BBC, o ministro da Economia, Nadhim Zahawi, avançou, também, que em setembro mais de 5 mil máquinas de teste de ADN, DnaNudge (já usadas em oito hospitais de Londres), serão lançadas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde britânico, de forma a fornecer 5,8 milhões de testes nos próximos meses

Apesar de não existirem ainda informações relativas à precisão desta nova tecnologia, para o professor de Medicina da Universidade de Oxford, John Bell – que assessora o governo nesta matéria – os testes rápidos têm a mesma “sensibilidade” dos atuais.

Contudo há especialistas que estão céticos. Anne Johnson, professora de doenças infecciosas e epidemiologia na University College London, reconheceu, na BBC Radio 4, que os testes rápidos eram “ótimas notícias”, mas deviam fazer parte de um sistema de saúde “amplo”, que precisa de agir de forma “mais rápida”, acrescentando que o diagnóstico célere é útil, mas “é fundamental que as pessoas se isolem assim que se sentem mal”.

Também Paul Nurse, diretor do Instituto Francis Crick e membro do Scientists for Labour, aponta falhas à estratégia do governo e adianta que é preciso “tratar o público como adulto” nas comunicações relativas à Covid-19. “Precisamos de abertura, transparência, escrutínio e uma liderança de pessoas que se responsabilizem pela tomada de decisões”.