A realização do Avante! “não faz sentido nenhum” e é uma decisão “inacreditável”, defendeu Luís Marques Mendes, no seu espaço de comentário na SIC. O comentador político não compreende que o PCP “insista” em realizar a festa “nos moldes tradicionais” e que a DGS e o Governo se “preparem para autorizar” o evento.

É que, defende Marques Mendes, não se trata de uma “questão política”, mas de saúde pública. Por isso, afirma, o PCP devia dar o exemplo, “como partido responsável e institucional”, para evitar o “risco de novos contágios e de nova vaga”. E lembra que os restantes partidos cancelaram as respetivas reentrées de verão.

Além disso, é, considera, uma questão de “coerência”. “O Governo e a DGS não deviam autorizar a realização da festa do Avante!, sobretudo naquela parte não política de festival de música. É aqui uma questão de coerência. Como é que o mesmo Governo que proíbe festivais de música no verão por razões de saúde pública vai agora autorizar um festival de música em setembro, só que é realizado pelo Partido Comunista? As pessoas perguntam: há filhos e enteados, a lei não é igual para todos?”

O comentador político atirou ainda que, se não forem dados exemplos nem se mostrar coerência, “as autoridades vão perdendo a razão e a autoridade”.

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Sobre o debate em volta do regresso do público às bancadas dos estádios de futebol, Marques Mendes é da opinião de que no próximo campeonato nacional “não devia ser autorizado público”, pelo menos “até ao final do ano”. O futebol tem “potencial de emoções e violência”, de ajuntamentos, sendo “palco gerador de risco de contágio”.

“As pessoas têm de compreender que estamos num momento muito especial, temos a situação da pandemia controlada, mas não está resolvida. (…) Somos sérios candidatos a termos, em setembro ou em outubro, uma novo onda de contágios”. A par disso, setembro é mês de regresso às aulas, outro fator de risco. “Entre a educação e o futebol tem de haver primazia para a educação.”

Ainda assim, a situação em Portugal “continua a melhorar” e a semana passada foi a primeira em que Portugal esteve abaixo da média europeia em termos de novos casos por mil habitantes. Daí que o Reino Unido já não tenha “razão nenhuma para manter as restrições”. “A partir de agora já só mesmo por má vontade.”

Novo Banco contrata consultora para avaliação “independente” à venda de imóveis

Marques Mendes revelou ainda que recebeu uma carta do presidente do Novo Banco, António Ramalho, dando conta de que a instituição irá pedir uma avaliação “independente” a uma “consultora internacional de renome”, sobre a venda da carteira de imóveis, que gerou polémica. O objetivo, disse o comentador, é “responder de forma imparcial às duvidas que foram enunciadas”.

Além disso, o financiamento feito pelo banco a um fundo de investimento “já tinha autorização prévia da União Europeia”. O Novo Banco vai também voltar a dar explicações à Assembleia da República, em setembro.

Exílio de Juan Carlos dá ideia de que o rei emérito quer “fugir à justiça”

As suspeitas de corrupção em torno do rei emérito espanhol Juan Carlos colocam Espanha numa “situação muito séria” e “crítica”. “A monarquia está a ser fortemente desprestigiada” e o exílio de Juan Carlos “não é uma solução”, mas uma “ilusão”.

“Em Espanha, fica a ideia de que o rei fugiu do país para fugir à justiça e à responsabilidade. Para outros, fica a sensação e a tentação de que este é o momento para a justiça ser implacável com o rei face aos seus comportamentos”. Embora o rei emérito tenha tido um “papel insubstituível” na transição espanhola para a democracia, “enquanto for vivo, os últimos acontecimentos, como as suspeitas de corrupção, vão acompanhá-lo sempre, vão minar fortemente a monarquia espanhola e complicar a vida ao rei Felipe VI”.

O social-democrata avançou, por fim, que se o Barcelona ou o Atlético de Madrid passarem às meias finais da Champions, “o rei de Espanha vem a Lisboa” assistir aos jogos das equipas.