Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O principal acionista da companhia colombiana Avianca, o empresário Germán Efromovich, foi detido no Brasil no quadro da Operação Lava Jato, revelou o Ministério Público Federal. Efromocivh, que foi detido com o irmão José Efromovich em São Paulo, foi duas vezes candidato à compra da TAP.

Em 2013, Efromovich era mesmo o único concorrente à privatização da empresa, mas a operação não avançou porque falhou a realização da caução prevista. Em 2015, quando o Governo do PSD/CDS voltou a lançar a privatização da TAP, Efromovich concorreu contra David Neeleman da Azul que acabou por ganhar, associado ao empresário português Humberto Pedrosa.

O comunicado não revela a identidade dos empresários detidos, mas a imprensa brasileira e a agência Reuters estão a avançar que são os dois irmãos Efromovich. O concorrente à TAP, Germán, tinha várias nacionalidades incluindo a brasileira.

Segundo o Ministério Público brasileiro, os empresários são investigados por o alegado envolvimento num esquema de corrupção que envolve contratos da Estaleiro Ilha S/A (Eisa) – uma das empresas do conglomerado da família Efromovich – com a Transpetro, subsidiária da Petrobras.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Os empresários são suspeitos de terem pago subornos para obter contratos de construção de um navio para uma empresa de logística petrolífera Petrobras. De acordo com a justiça brasileira, este contrato terá resultado em perdas de 600 milhões de reais (quase 100 milhões de euros) para a petrolífera brasileira.

Os procuradores suspeitam que os empresários pagaram cerca de 40 milhões reais (seis milhões de euros) em comissões (propinas) a Sérgio Machado, então presidente da Transpetro, entre 2009 e 2013. Machado fez um acordo de colaboração premiada com a justiça braseira.

A Avianca, uma das maiores companhias aéreas da América Latina, está em processo de recuperação judicial e Efromovich não tem intervenção na sua gestão, apesar deter mais de 50% do capital. A Reuters recorda que os irmãos fizeram fortuna através dos contratos com a Petrobrás e outras petrolíferas brasileiras, tendo usado os lucros dessas operações para comprar a Avianca que estava em insolvência em 2003.

Os dois irmãos Efromovich, detidos preventivamente, ficaram em prisão domiciliária e com pulseira eletrónica devido à pandemia. A justiça determinou também o bloqueio de 651 milhões reais (100 milhões de euros) dos irmãos Efromovich e de empresas por eles controladas.