Uma delegação talibã está de visita ao Paquistão, que espera pressionar os rebeldes a negociar com as autoridades afegãs, disse esta segunda-feira o chefe da diplomacia paquistanês, numa altura em que o processo de paz do Afeganistão parece parado.

“A delegação está em Islamabad e teremos uma série de encontros com eles amanhã [terça-feira] no âmbito dos esforços visando (construir) a confiança mútua”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi numa conferência de imprensa.

A visita acontece quando as negociações entre os insurgentes e o governo afegão, previstas num acordo assinado no final de fevereiro entre os Estados Unidos e os talibãs, estão paradas devido a desacordo em relação a uma troca de prisioneiros.

No pacto não ratificado por Cabul, que prevê a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão até meados de 2021, Washington e os rebeldes acordaram a troca de cerca de 5.000 presos talibãs por um milhar de membros das forças afegãs. Mas 320 talibãs, entre os mais perigosos, continuam detidos pelas autoridades afegãs. A França e a Austrália opuseram-se à libertação de alguns deles.

Qureshi declarou que Islamabad tinha convidado os talibãs para sublinhar a importância das negociações, segundo ele “o único caminho a seguir” no Afeganistão. “Cabe aos afegãos reconciliarem-se e a nossa tarefa é a de facilitar”, adiantou.

Em outubro de 2019, o mullah Abdul Ghani Baradar, cofundador dos talibãs e que passou oito anos preso no Paquistão, esteve à frente de uma delegação a Islamabad em antecipação do acordo EUA-talibãs assinado em fevereiro em Doha.

O Paquistão foi um dos três únicos países a reconhecer o regime talibã nos anos 1990 e tem uma certa influência sobre os rebeldes afegãos.

Islamabad, que Cabul acusa regularmente de acolher e financiar os insurgentes, apelou em diversas ocasiões a negociações entre os talibãs e as autoridades afegãs.

No domingo, Suhail Shaheen, um porta-voz dos talibãs, confirmou através da rede social Twitter a deslocação de negociadores ao Paquistão, para discutir nomeadamente “desenvolvimentos recentes do processo de paz no Afeganistão”.