Dez pessoas morreram nos confrontos que deflagraram na quarta-feira na Colômbia durante protestos contra a morte de um homem vítima de violência policial, segundo novo balanço das autoridades.

De acordo com as autoridades, que inicialmente deram conta de cinco e mais tarde de sete mortos, nos confrontos de quarta-feira morreram dez pessoas, incluindo sete jovens entre os 17 e os 27 anos em Bogotá e mais três pessoas em Soacha, uma cidade perto da capital. Em pelo menos um dos casos, uma jovem de 18 anos que não participava nas manifestações foi atingida por uma bala perdida, segundo a agência de notícias espanhola Efe. Só em Bogotá, registaram-se 379 feridos nos confrontos, 66 dos quais atingidos com armas de fogo, numa noite caótica em que foram incendiadas instalações policiais em várias partes da cidade.

Os protestos, na capital colombiana e no resto do país, foram desencadeados pela morte de um advogado após o uso repetido de um ‘taser’ (arma elétrica) por dois polícias em Bogotá. O homem, de 46 anos, foi imobilizado no chão por dois agentes e sujeito a repetidos choques elétricos, um incidente cujas imagens, captadas por testemunhas, causaram indignação no país, fazendo lembrar o caso do afro-americano George Floyd, sufocado por agentes da polícia, nos Estados Unidos. O homem acabaria por morrer horas depois de ser transportado para um hospital.

Um vídeo de quase dois minutos mostra dois agentes da polícia colombiana a administrarem choques elétricos ao advogado Javier Ordoñez, enquanto este implora “por favor” e “agentes, peço-vos”, com testemunhas da cena a pedirem também à polícia que pare.

O ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, disse na quarta-feira que os dois agentes que atacaram o advogado “já são objeto de uma investigação disciplinar e criminal”.

Na quinta-feira, os manifestantes voltaram às ruas, com os postos de polícia a serem novamente alvo dos protestos, atacados com pedras ou incendiados, e levando em alguns casos à intervenção de unidades de choque. A maior concentração voltou a dar-se na esquadra onde os dois agentes da polícia envolvidos na morte de Javier Ordóñez trabalhavam. Além da capital colombiana, os protestos estenderam-se também a cidades como Medellín, Cali, Barranquilla, Manizales, Pereira e Cúcuta.