Se dúvidas houvesse, um estudo veio dissipá-las: não, nem todas as mulheres perdem o interesse no sexo ao entrarem na meia-idade. Aliás, um quarto das 3.200 mulheres analisadas ao longo de 15 anos pela equipa de Holly Thomas, médica especialista em disfunções sexuais, dizem que o sexo continua a ser “muito importante”, independentemente da idade que tenham.

O segredo? Falar com o parceiro para garantir que a atividade sexual é prazerosa para ambos. É que “as mulheres que faziam sexo mais satisfatório quando tinham 40 anos são mais propensas a continuar a valorizar muito o sexo à medida que envelheciam”, indica  estudo da médica norte-americana.

Foi isto que Stephanie Faubion, diretora médica da Sociedade Norte-Americana da Menopausa, anunciou esta segunda-feira na abertura de uma conferência, conta a CNN: “O estudo mostrou que um número substancial de mulheres ainda valoriza muito o sexo, mesmo à medida que envelhecem, e isso não é anormal”. O importante, prosseguiu, é que “as mulheres sejam capazes de falar com os parceiros e tenham a certeza de que estão a fazer sexo que os satisfaça e agrade”.

No passado, outros estudos científicos vieram indicar o contrário: que as mulheres perderiam apetite sexual com a idade, sobretudo após a menopausa. O problema é que essas análises “mostram apenas médias ao longo do tempo”, aponta Holly Thomas, em conversa com a CNN: “Se se olhar para as coisas em média pode parecer que todas as pessoas seguem o mesmo percurso”.

Desta vez, a especialista acompanhou as mesmas mulheres quando tinham entre 40 e 60 anos. Descobriu então que, enquanto um quarto das mulheres relatou ter perdido interesse por fazer sexo, uma fatia igual disse ter mantido exatamente o mesmo apetite. A outra metade disse ter um interesse muito elevado por sexo até aos 60 anos, mas a partir daí a líbido começou a decrescer.

Há fatores que parecem justificar estes comportamentos. As mulheres menos deprimidas, mais realizadas, com ordenados melhores e com mais estudos tendem a valorizar mais o sexo ao chegarem à casa dos 40. É assim, porque “têm mais cabeça para fazer do sexo uma prioridade”, descreveu Holly Thomas: “Não têm de se preocupar com outras coisas”.

A disponibilidade para desfrutar melhor da vida sexual depende ainda da intensidade das mudanças hormonais que cada mulher sofre ao chegar à menopausa — alterações essas que podem tornar mais frágeis os tecidos da vulva e da vagina, provocando dores e irritações que impedem o ato sexual. A saúde mental também deve ser levada em conta, uma vez que fatores como a ansiedade e o stress podem desviar o interesse da mulher.

Além disso, a qualidade da relação amorosa com o parceiro também pode influenciar muito o interesse da mulher pelo sexo: “Estão a perder um parceiro romântico para o divórcio ou para a morte? Um parceiro romântico está a desenvolver problemas de saúde que tornam o sexo mais difícil ou inconveniente? Algum deles está mais concentrado noutras coisas? Isso torna tudo mais difícil”, conclui Holly Thomas.