A filiação dos jogadores aos clubes da cidade era maior do que nos tempos que correm e até por aí Ângelo Martins era um atleta diferente na década de 50: quando lhe diziam que teria de ir jogar para o FC Porto, assumia ser do Benfica, apesar de ter jogado no Académico e de ter uma simpatia pelo Salgueiros. Com 20 anos, quando estava a prestar serviço militar em Santarém, foi descoberto por um olheiro dos encarnados e rumou ao clube lisboeta. Foi aí que fez toda a sua carreira, que terminou em 1965 após 13 anos a servir as águias. Defesa internacional, foi bicampeão europeu e conquistou um total de 14 títulos. Morreu este domingo, aos 90 anos.

Entre 1952 e 1965, Ângelo, que alinhou sempre com a camisola 3, conquistou sete Campeonatos (1955, 1957, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1965), cinco Taças de Portugal (1953, 1955, 1957, 1962 e 1964) e duas Taças dos Campeões Europeus, os únicos troféus internacionais ganhos na história dos encarnados, em 1961 e 1962. Estava também no plantel que conseguiu a Taça de Portugal de 1959, não chegando a jogar na competição. O defesa realizou um total de 285 jogos oficiais pelo Benfica, ficando depois ligado ao clube como técnico das camadas jovens. Foi ainda internacional por 20 vezes, sobretudo como lateral esquerdo depois da saída de cena do portista Ângelo.

“Em nome do Benfica, e em meu nome pessoal, quero apresentar as mais sentidas condolências à família e amigos de Ângelo Martins, um dos nossos eternos bicampeões europeus e um dos símbolos que ficará para sempre na história do nosso clube. Ângelo Martins, jogador de raça e um dos obreiros da imagem e mística de ‘jogar à Benfica’, onde, entre 1952 e 1965, venceu duas Taças de Campeões, sete Campeonatos Nacionais e cinco Taças de Portugal, pertenceu àquela geração de ouro e gloriosa, marcante nas nossas memórias. É com profundo pesar que toda a família benfiquista vive este momento de dor, luto e de eterna saudade perante a partida de Ângelo Martins. Credor da nossa mais justa homenagem, que descanse em paz!”, lamentou Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, numa mensagem publicada no site oficial do clube.

“É com um sentimento de profunda tristeza que escrevemos isto. Ângelo Martins deixou-nos hoje. Foi um dos maiores a vestir o Manto Sagrado. Nascido a 19 de Abril de 1930 na cidade do Porto, vestiu a camisola com o número 3 ao longo de uma carreira inteira de águia ao peito. Foram 13 épocas no Benfica, de 1952 a 1965. 285 jogos e 4 golos. 7 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal e 2 Taças dos Campeões Europeus. Mais tarde, foi treinador dos escalões jovens, tendo ajudado a formar alguns dos maiores talentos das últimas décadas. É Uma instituição do clube. A memória de Ângelo Martins permanecerá viva na grandeza do Benfica, que a ele deve eterna gratidão. Foi, verdadeiramente, um dos ases que nos honraram o passado. Apresentamos as mais sentidas condolências à família e amigos. Paz à sua alma”, destacou também João Noronha Lopes, candidato à presidência das águias que tinha o antigo internacional entre os apoiantes assumidos.

“Ângelo Martins foi um dos jogadores que contribuiu de forma determinante para a afirmação do futebol português a nível internacional em representação do seu clube de sempre, o Benfica, e da Seleção Nacional. Bicampeão europeu, vencedor de vários campeonatos nacionais, Ângelo foi 20 vezes internacional e elevou bem alto o nome de Portugal. Quero sublinhar o meu reconhecimento e gratidão por todo o seu contributo em prol do futebol português. À sua família e ao clube que representou enquanto jogador e treinador e do qual será sempre referência, deixo as minhas mais sinceras condolências. Elevou bem alto o nome de Portugal!”, salientou ainda Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, sobre o antigo internacional.