O Presidente do Quirguistão decretou esta segunda-feira um novo estado de emergência em Bichkek, capital do país, durante uma semana, depois de o parlamento ter falhado o prazo de três dias requerido para aprovar o decretado anteriormente.

O novo estado de emergência decretado reflete o caos em que o país está submerso depois das últimas eleições legislativas que desencadearam várias manifestações.

De acordo com o gabinete do Presidente do Quirguistão, Sooronbay Jeenbekov, citado pela Associated Press (AP), o estado de emergência em Bichkek vai decorrer entre as 20h desta segunda-feira (15h em Lisboa) e as 7h (2h em Lisboa) da próxima segunda-feira, 19 de outubro.

O estado de emergência impõe o recolher obrigatório, proíbe comícios e outros eventos públicos e também restringe as viagens. Também passa a ser possível destacar militares nas ruas da capital para reforçar o cumprimento destas medidas

O estado de emergência anterior foi decretado na última sexta-feira, quando uma manifestação que irrompeu na capital e acabou em violência, com vários líderes políticos baleados. Contudo, este estado de emergência não entrou em vigor porque os legisladores não deliberaram sobre o decreto do chefe de Estado nos três dias requeridos.

O Quirguistão, um país com cerca de 6,5 milhões de habitantes, está a viver um período conturbado depois de protestos massivos que surgiram um dia após as eleições legislativas, uma vez que os eleitos estavam associados à elite vigente no país.

Os manifestantes irromperam pelos edifícios do governo e tomaram conta de várias infraestruturas, que acabaram saqueadas. Em resposta a estas manifestação, a Comissão Eleitoral central anulou os resultados do sufrágio.

Vários elementos de partidos da oposição anunciaram a intenção de remover o atual chefe de Estado do cargo e formar um novo governo. Uma sessão parlamentar de emergência, em 06 de outubro, decretou Sadyr Zhaparov como o novo primeiro-ministro, mas a decisão foi imediatamente contestada por outros parlamentares.

Sooronbay Jeenbekov disse, entretanto, que considera abandonar a presidência do Quirguistão, mas apenas quando a situação político-social do país estabilizar.