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Quando um casal de franceses decidiu transformar um rés-do-chão recentemente comprado em Lisboa numa garagem, certamente não imaginava nada disto: que na intervenção arqueológica feita na sequência do projeto, necessária pela proximidade com o já antes identificado — e classificado — Teatro Romano, fossem descobertos indícios do que pode ter sido um templo Romano já erguido no século I, há mais de 1.900 anos.

Essa parte da história já se sabia, tinha sido anunciada em 2019 aquando das escavações — feitas a apenas 50cm de profundidade, o que atesta bem a riqueza arqueológica descoberta por cm2, com recurso a recolhas de amostras, colherins, réguas, fitas médicas, lousas e demais materiais de pesquisa.

Agora que o Museu de Lisboa – Teatro Romano decidiu organizar uma exposição para reconstituir esse possível templo, sabe-se mais. Por exemplo, que nesse solo do número 6 da Rua da Saudade foram encontrados indícios de um pavimento riquíssimo, com pedras que viajaram o mundo inteiro para chegar a Felicitas Iulia Olisipo, isto é ao território de Lisboa quando esta era município romano — pedras vindas do Norte de África, do Oriente, da atual Europa, de territórios como as atuais Tunísia, Grécia ou Turquia, num tempo em que as viagens eram odisseias.

Foi “o negativo que ficou na argamassa das lajes” que compunham o pavimento que permitiu “fazer uma reconstrução integral” do mesmo, explicou ao Observador a arqueóloga e coordenadora do Museu de Lisboa – Teatro Romano, Lídia Fernandes, em visita guiada na véspera da abertura da exposição.

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