As autoridades nigerianas recorreram esta terça-feira a “numerosos” tiros para dispersar os mais de mil manifestantes concentrados em Lagos, uma das principais cidades do país, em protestos contra os abusos policiais, noticia a agência France-Presse (AFP). Os manifestantes encontravam-se reunidos junto a uma portagem em Lagos, de acordo com a AFP.

A ação da polícia terá sido realizada para o cumprimento do recolher obrigatório decretado para acalmar o movimento de contestação popular na Nigéria. Várias pessoas no local, contactadas pela AFP, “correram pelas suas vidas” para escapar aos tiros das forças de segurança.

Os protestos na Nigéria têm como alvo os membros do Esquadrão Especial Antirroubo (SARS, em inglês), uma força policial acusada por grupos de defesa dos direitos humanos de ter matado e torturado cidadãos nigerianos. A contestação teve início depois de um vídeo de agressões alegadamente cometidas por membros do SARS ter sido divulgado nas redes sociais.

Como resposta aos protestos, o Governo nigeriano anunciou, no dia 11 de outubro, que iria desmantelar esta força policial, mas tal não foi suficiente para demover os manifestantes, que reclamam o fim das agressões por parte das forças de segurança. Inicialmente realizados de forma pacífica, pelo menos 10 pessoas morreram, anunciou a organização Amnistia Internacional na semana passada, que acusou a polícia de recorrer a violência desnecessária contra os manifestantes.

Várias multidões invadiram várias instalações prisionais nigerianas, o que levou a que cerca de 2.000 reclusos escapassem da prisão, anunciou esta terça-feira o Ministério do Interior do país. Os protestos têm-se realizado um pouco por todo o país, que conta com uma população superior a 196 milhões de pessoas, com principal destaque para a maior cidade, Lagos, a capital, Abuja, e outras importantes cidades, como Port Harcourt, Calabar, Asaba e Uyo.

A campanha para o fim do SARS reuniu apoio internacional, incluindo de membros do movimento ‘Black Lives Matter’ e do cofundador da plataforma social Twitter Jack Dorsey, que partilhou várias publicações de manifestantes nigerianos. Na passada terça-feira, dia 13, a polícia nigeriana anunciou a criação de uma brigada anticrime (SWAT) para substituir a SARS, tendo posteriormente garantido que nenhum antigo membro da unidade desmantelada poderá integrar a nova força.

A Nigéria é o maior produtor de petróleo de África, mas o país sofre de um abrandamento da sua economia e de um desemprego em massa, especialmente entre os jovens, agravado pela crise resultante da pandemia de Covid-19.