Centenas de manifestantes invadiram o Parlamento arménio na madrugada desta terça-feira, depois de o primeiro-ministro arménio, Nikol Parshinyan, ter anunciado o cessar-fogo no conflito que já dura há mais de seis semanas com o Azerbaijão, na região de Nagorno Karabakh.

“Nikol traiu-nos”. Foi esta a letra que entoou nas ruas de Yerevan, capital arménia, conta o The Guardian. Centenas de pessoas saíram à rua para protestarem contra o cessar-fogo acordado e que teve mediação russa. Mas foram mais além do que a rua. Os manifestantes deslocaram-se ao portão da residência oficial do primeiro-ministro arménio e ao Parlamento, onde decorria uma sessão.

Pela via da violência e apesar do controlo policial, os manifestantes conseguiram entrar e lançaram o caos. Inclusive, o Presidente da Assembleia Nacional da Arménia, Aratat Mirzoyan, que discursava na altura, ficou inconsciente na sequência dos desacatos.

Os manifestantes juntam-se a alguns partidos da oposição, que consideram que o cessar-fogo não satisfaz os interesses da Arménia, uma vez que o acordo prevê que as forças arménias abandonem parte do território de Nagorno-Karabakh. O próprio primeiro-ministro arménio considera que a assinatura do acordo fora “incrivelmente dolorosa”, tendo-a justificado pela existência de “certos problemas para os quais não há qualquer solução à vista”.

Pelo contrário, os azeris saíram à rua para comemorar o cessar-fogo. O primeiro-ministro do Azerbaijão vê neste acordo como uma “rendição do inimigo”. A Turquia também já veio saudar os “ganhos significativos” do seu aliado tradicional. 

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O acordo de cessar-fogo foi assinado na noite da passada segunda-feira, mediado pela Rússia.

A 9 de novembro, o presidente do Azerbaijão [Ilham Aliev], o primeiro-ministro da Arménia [Nikol] Pachinian e o presidente da federação da Rússia assinaram uma declaração de anúncio de um cessar-fogo total e do fim de todas as ações militares na zona do conflito de Nagorno-Karabakh”, afirmou Vladimir Putin, numa declaração distribuída a vários meios de comunicação.

O conflito de Nagorno-Karabakh começou nos finais de setembro, tendo havido em outubro tentativas de promessa cessar-fogo que nunca foram cumpridas.