Praticamente todas as seleções nacionais foram afetadas pela Covid-19 e por lesões musculares entre a anterior janela de compromissos internacionais e a que está agora a decorrer. Mas poucas tiveram tantos problemas como a italiana. Roberto Mancini, ele próprio infetado e sem poder acompanhar presencialmente a equipa nas concentrações e nos jogos, convocou 41 jogadores para estar preparado para testes positivos e eventuais lesões. E o adjunto, Alberico Evani, confessa que já perdeu a conta aos jogadores que já dispensou.

“Podem imaginar como o Roberto [Mancini] se está a sentir, ele gosta de estar junto aos rapazes. Mas eles sabem que ele está presente. Já não sobramos muito mas não estou preocupado. Temos de nos focar menos nos que não estão e mais nos que estão. Já perdi a conta aos que tivemos que dispensar… Mas vamos dar o nosso melhor”, explicou Evani, que teve como baixas mais recentes os lesionados Gagliardini, Bonucci e ainda Ciro Immobile, que testou inconclusivo para a Covid-19.

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Este domingo, separadas por um ponto, a seleção italiana recebia a Polónia na penúltima jornada da fase de grupos da Liga das Nações — e num jogo decisivo para a matemática do apuramento para a final four. Horas antes, a Holanda tinha derrotado a Bósnia em Amesterdão e saltado para a liderança provisória do grupo: uma vitória de italianos ou polacos significava a subida ao primeiro lugar isolado e à pole-position na corrida pela qualificação na antecâmara da última jornada. Itália alinhava com Bernardeschi, Belotti e Insigne na frente de ataque e Barella, Jorginho e Locatelli no meio-campo; do outro lado, a referência ofensiva era obviamente Lewandowski.

A seleção italiana foi para o intervalo a vencer pela margem mínima, graças a um penálti convertido por Jorginho (27′), médio do Chelsea. No arranque do segundo tempo, o selecionador polaco fez três alterações de uma vez, para lançar Grosicki, Zielinski e Goralski, e a equipa de Lewandowski apresentou-se bastante diferente depois do intervalo, com uma pressão mais intensa e com vontade de lutar pelo resultado. Ainda assim, não deixava de estar a realizar a exibição mais pobre desta Liga das Nações, sem a vertigem ofensiva e a coesão no meio-campo que demonstrou nos últimos jogos.

A Polónia estava melhor mas Itália continuava a conseguir controlar por completo a retenção da posse de bola, entre transições de um corredor para o outro e jogadas rendilhadas até à descoberta de um brecha para chegar perto da baliza adversária. A equipa de Mancini começou a colocar algum gelo no jogo logo a partir dos 60 minutos, ciente de que era mais importante resguardar o resultado do que tentar, inconsequentemente, dilatá-lo. A primeira substituição nos italianos apareceu por essa altura, com Bernardeschi a sair para dar lugar a Berardi; pouco depois, Goralski viu o vermelho direto graças a uma falta dura sobre Belotti e tornou ainda mais difícil a tarefa polaca.

Já perto do fim, Berardi fez o segundo golo dos italianos e sentenciou a partida: apesar das dificuldades, das lesões e dos infetados com Covid-19, Itália está no primeiro lugar do Grupo A e é a equipa em melhor posição para chegar à final four da Liga das Nações. A seleção de Mancini lidera agora com nove pontos, mais um do que a Holanda e mais dois do que a Polónia, e só precisa de ganhar à Bósnia na próxima quarta-feira para garantir o passaporte para essa derradeira fase da competição.