O ex-candidato à liderança do PSD Miguel Pinto Luz defendeu esta segunda-feira que a política de alianças com o Chega foi tema da campanha interna de janeiro e apelou a que não se propague “discurso do adversário”.

Questionado pela Lusa sobre a proposta lançada pelo ex-ministro Jorge Moreira da Silva de um congresso extraordinário no PSD para clarificar a estratégia de “coligações e entendimentos” na sequência do acordo com o Chega para viabilizar uma solução governativa nos Açores, o vice-presidente da Câmara de Cascais defendeu que, nas diretas de janeiro, tanto ele como o presidente do partido, Rui Rio, foram claros sobre este tema.

Recordo os mais distraídos que nas últimas eleições o tema de potenciais alianças com o Chega foi discutido, ninguém pode acusar o dr. Rui Rio de não ter sido suficientemente claro sobre este tema. Eu fui claro. Rui Rio foi claro”.

Pinto Luz considerou ainda que congressos e eleições “serão tão mais solicitados quanto mais o PS apresente sinais de degradação eleitoral”.

Só é pena que no tempo em que se adivinhava uma longa permanência do PSD na oposição, ninguém tivesse vindo discutir estes e outros temas. Sejamos honestos, o que incomoda muitos dos que acordaram agora para esta discussão é que Rui Rio está hoje mais próximo de continuar a liderar o PSD e isso baralha o calendário de muitos”.

Sem se referir diretamente a Moreira Silva, Pinto Luz disse lamentar ver companheiros que respeita a “interiorizar e propagar o discurso do adversário”.

Esta é uma hora de enorme responsabilidade para o PSD nos Açores, herdámos uma região com uma grave crise financeira e social num contexto agravado pela pandemia. Deixemos a política partidária e apoiemos José Manuel Bolieiro na difícil tarefa que vai ter pela frente para bem de todos os açorianos”.

O autarca sublinha que foi “o primeiro no PSD a tomar uma posição pública, clara e objetiva sobre política de alianças no centro direita”.

Fi-lo em contexto abstrato e de pensamento estratégico para a minha família política. Atualmente, vivemos uma situação concreta e decisiva para o futuro dos açorianos e qualquer tentativa de angariar ou dividir protagonismo, com quem de facto deve decidir, é um exercício de vedetismo ou vaidade que não estou interessado”.

Em janeiro, quando foi candidato à liderança do PSD, Miguel Pinto Luz admitiu disponibilidade para formar alianças com qualquer partido representado no parlamento, quando questionado sobre a possibilidade de coligações futuras com o Chega.

As minhas linhas vermelhas são claras, são os valores do PSD e a liderança de qualquer aliança por parte do PSD, sendo a agenda nossa, isso é que são as nossas linhas vermelhas”.

O então candidato considerou não fazer sentido que o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, faça alianças com a “esquerda radical” e que o PSD se “autolimite” na sua capacidade de poder dialogar no centro-direita.

Não contem comigo para reduzir ainda mais o PSD e as capacidades do PSD de poder falar e congregar várias forças políticas à volta de um projeto reformista para Portugal”.

Esta segunda-feira, num artigo no jornal Público, o antigo vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva defendeu um congresso extraordinário para clarificar a estratégia de “coligações e entendimentos” e atacou a “traição” aos valores do partido pela solução governativa nos Açores, com o Chega.

“Não se fazem acordos com partidos xenófobos, racistas, extremistas e populistas. Com partidos que, por ignorância ou perversidade moral, propalam propostas incompatíveis com a dignidade humana. Ponto!”, escreveu o ex-ministro do Ambiente, considerando que este tipo de acordo significa uma “alteração radical do posicionamento ideológico e programático” do partido.

No texto, Moreira da Silva considerou “necessária a realização de um congresso extraordinário do PSD para definição”, antes das próximas eleições autárquicas e legislativas, de uma “política de coligações e entendimentos”, que qualifica de “imprescindível” para “clarificar esta questão de identidade, não do PSD, mas da sua atual direção”.

O Congresso Nacional reúne ordinariamente de dois em dois anos [fevereiro de 2022] e, em sessão extraordinária, a requerimento do Conselho Nacional ou de 2.500 militantes.