O CEO da Daimler, Ola Källenius, anunciou que a sua empresa e a Geely, que é o maior accionista, com 9,7%, “estão a desenvolver em conjunto mecânicas híbridas para novos modelos”, o que imprensa germânica interpretou como sendo destinadas aos veículos da bitola dos Classe A e B, potencialmente o novo GLA, segundo o Auto Motor und Sport.

A referência a mecânicas híbridas só faz sentido se em cima da mesa estiverem soluções híbridas plug-in (PHEV), com baterias recarregáveis para poderem circular cerca de 50 km em modo eléctrico. No Classe A 250e, a Mercedes usa o motor 1.3 a gasolina da Renault, com 160 cv, associado a um eléctrico de 102 cv, alimentado por uma bateria com uma capacidade de 15,6 kWh. Apesar de a Renault também deter uma quota (1,54%) na Daimler, a Geely poderia fazer valer o seu maior peso na empresa alemã, ela que já detém 50% da Smart, para se impor como fornecedora.

A Daimler fala em “desenvolver uma nova geração de sistemas para mecânicas híbridas juntamente com a Volvo”, mas com muitas cidades e países a anunciar para breve a proibição de veículos PHEV, juntamente com os que montam motores exclusivamente de combustão, talvez não faça muito sentido desenvolver durante um ou dois anos uma mecânica, que depois apenas poderá comercializar durante um reduzido número de anos. Mais do que isso, a Mercedes que hoje depende fortemente dos PHEV para cumprir o limite de 95g de CO2 imposto pela União Europeia, vai ultrapassar esta dependência já a partir de 2021, quando os 100% eléctricos começarem a entrar na gama a bom ritmo, tornando o investimento em novos PHEV ainda mais difícil de justificar.

Tudo isto aponta para o futuro passar pela adaptação do actual 1.5 de três cilindros da Volvo, que oferece dois níveis de potência (130 e 180 cv), e por montá-lo em modelos como o GLA.