O orçamento da câmara de Gondomar para 2021, no valor de 124 milhões de euros, foi aprovado esta quinta-feira pela maioria PS, com os votos contra do PSD e CDU e a abstenção do Movimento Independente liderado por Valentim Loureiro.

É um orçamento que continua a apostar na qualidade de vida das pessoas e nos projetos inovadores que podem diferenciar Gondomar”, disse à Lusa o presidente da câmara de Gondomar, Marco Martins, destacando projetos associados a percursos pedestres, a aposta no Parque das Serras do Porto e a concretização de obras em parques urbanos.

Marco Martins também destacou, na vertente ligada ao património e à história do concelho, a preservação do Cavalete do Poço de São Vicente, monumento classificado desde março de 2010 como de Interesse Público que pertence ao complexo mineiro de São Pedro da Cova.

Outro dos aspetos destacados pelo autarca prende-se com a verba de 3,5 milhões de euros para prolongamento da rede de saneamento na zona conhecida como Alto Concelho, um projeto “ansiado e ansiado há anos”, disse.

Em comunicado, a câmara de Gondomar referiu que o orçamento “revela um forte investimento no Município de Gondomar — mais de 35 milhões de euros — destinados à habitação, à preservação do património e ao fomento da qualidade de vida dos gondomarenses”.

Entre outros números, sobressai cerca de 11 milhões de euros para o serviço da dívida, bem como 27 milhões de euros para contratação de serviços, entre os quais, 9,5 milhões para a limpeza e tratamento de resíduos e dois milhões com a iluminação pública no concelho.

Na declaração de voto enviada à Lusa, a CDU considera que o orçamento “continua a apresentar vários elementos contraditórios” e refere que “uma grande parte dos projetos incluídos nas Grandes Opções do Plano não tem alocadas as verbas necessárias para a sua efetiva concretização”.

A CDU de Gondomar dá como exemplos o Parque Urbano de S. Cosme, Parque Urbano de São Pedro da Cova, requalificação de conjuntos habitacionais, Cavalete Poço S. Vicente e património mineiro e criação de malha industrial no alto concelho.

O que nos faz concluir que tal inclusão não tem uma correspondência com o discurso oficial da câmara. De notar, ainda, a forma discricionária como são direcionadas verbas para rubricas gerais”, lê-se na declaração de voto que aponta como exemplos a beneficiação de arruamentos, requalificação da habitação.

Sem se identificarem os projetos, não [nos] é permitido aferir o que se pretende realizar”, conclui a CDU que também aponta que falta “um plano de reivindicação junto do Governo”, bem como “soluções para os principais problemas do concelho, em particular para fazer face ao elevado preço da água, saneamento e resíduos”.

Já o vereador social-democrata, Nelson Sousa, contactado pela Lusa, justificou o voto contra com “a falta de foco nas pessoas” sobretudo num momento em que “se vê a taxa de taxa de desemprego em Gondomar a disparar, o número de pessoas a recorrer a auxílio alimentar a aumentar e prevalece a falta de condições em conjuntos habitacionais”, referiu.

Mais uma vez se lamenta que a autarquia prefira investir milhões em projetos que poucos ou quase nenhum gondomarense entendem, em detrimento da população. É nosso entendimento que a câmara tem como primordial interesse, ou deveria ter, o bem-estar da população algo que nesta época de pandemia [da covid-19] constante se tem esquecido”, disse Nelson Sousa.

O PSD criticou “a insistência nos parques urbanos e ciclovias, bem como em projetos de luminárias”, numa “época difícil”: “Deviam ter uma sensibilidade extra que não têm manifestado”, concluiu.

Também contactado pela Lusa, Valentim Loureiro justificou a abstenção com o facto de em causa estar um orçamento “volumoso” que mereceria “uma análise prévia”, considerando-o, no entanto “equilibrado”.

O plano é equilibrado e vai resolver muitos problemas. Chamei a atenção do presidente para a necessidade de reforçar apoios na área social e aconselhei que tivesse especial atenção aos problemas das pessoas por causa desta pandemia. A posição do movimento é sempre construtiva e colaborante. Espero que o plano seja concretizado”, disse Valentim Loureiro.

O líder do movimento independente acrescentou que também sugeriu à maioria PS que esta “pressione o Governo a não esquecer Gondomar quando distribuir fundos do Orçamento do Estado e da chamada “bazuca” europeia”, referindo-se aos fundos comunitários.