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Há um dia inteiro que os militares da GNR de Loulé e da Polícia Judiciária Militar (PJM) do Porto passaram na zona de Castelo de Bode, à procura das armas furtadas em Tancos, que não vem descrito na acusação do Ministério Público e que tem sido várias vezes referido ao longo do julgamento do caso. Foi o dia em que três elementos da GNR e dois PJM se disfarçaram de funcionários de uma empresa de segurança, colocaram autocolantes nos carros descaracterizados de serviço com o logótipo de uma conhecida empresa, e foram bater a várias portas de vivendas perto da linha de água.

Era 21 de setembro de 2017 e tinham passado passado três meses do assalto a Tancos. Nesta altura já a PJM tinha pedido ajuda à GNR de Loulé na investigação que o Ministério Público veio a considerar ser ilegal, por correr sem conhecimento da Polícia Judiciária Civil — a quem tinha sido entregue o caso.

Na GNR de Loulé havia dois guardas que conheciam Paulo lemos, ou Fechaduras, um homem já conhecido da polícia noutros processos e que acabaria por denunciar o assalto a Tancos ainda antes de ele acontecer. Segundo ele tinha sido sondado para participar no crime, mas arrependera-se. Uma queixa que acabou por não ser investigada a tempo e que só foi ressuscitada após o assalto.

Fechaduras era, a esta data, o alvo da investigação da PJM e os militares do Algarve seriam fundamentais para perceber o que ele andava a fazer, onde vivia e onde trabalhava. A pedido da PJM, e para saber mais sobre ele, um dos guardas de Loulé acabou por ligar a um amigo de infância, que seria amigo de Fechaduras, para obter mais informações. E foi assim que Bruno Ataíde, também arguido no processo, telefonou a João Paulino, sem saber que era ele afinal o autor do crime — como o próprio já assumiu em tribunal.

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