O PSD alertou esta quinta-feira para as dificuldades que os jovens em Portugal atravessam, como o desemprego ou a precariedade laboral, acusando a esquerda parlamentar de nunca assumir as responsabilidades políticas dos últimos cinco anos de governação.

Numa declaração política do PSD no plenário da Assembleia da República, o deputado Alexandre Poço considerou que “os jovens portugueses são, entre os jovens europeus, dos que mais tarde saem de casa dos seus pais”, que Portugal é “um país que regista hoje uma das taxas de desemprego jovem mais elevadas da União Europeia“, alertando para a pobreza de que este grupo etário sofre.

Um país no qual os jovens são o grupo etário com uma taxa de risco de pobreza mais elevada. Já contando com as transferências sociais, quase 20% dos jovens com menos de 18 anos encontram-se nas portas da pobreza e da insuficiência económica”, sustentou.

Para o líder da JSD, “é urgente” resolver o problema do desemprego jovem “com mais ação, mais respostas que incentivem a contratação e a manutenção de emprego jovem, e muito menos propaganda, porque essa não gera um único emprego”.

“Os jovens não precisam de continuar a ouvir elogios ocos por serem a ‘geração mais qualificada de sempre’ se essa qualificação não for acompanhada de uma remuneração própria de um país desenvolvido, de um país europeu”, criticou.

Poço apelou ainda ao aproveitamento dos fundos europeus previstos para o país, argumentando que as novas gerações exigem uma economia “que não estigmatiza quem investe” e que “não é soterrada por um sufoco fiscal”.

Quem oiça a intervenção do PSD aqui hoje parece que o país começou hoje, os nossos problemas começaram hoje e o PSD teve, nos últimos anos, um grande contributo a resolver os problemas de emancipação dos jovens em Portugal”, ironizou a deputada Maria Begonha, líder da Juventude Socialista.

Para o PS, continuou, a liberdade dos jovens “só se atinge quando o Estado tem de facto uma intervenção pública e quando o Estado, de facto, tem um papel para que todos, justamente, possamos tirar os jovens do limiar da pobreza”.

Luís Monteiro, do BE, apontou que há cinco anos, o governo PSD-CDS alegava que era impossível baixar propinas e aumentar bolsas de estudo, mas a esquerda provou “que foi possível”, criticando a antiga coligação de direita.

Pelo PCP, Alma Rivera aditou que “o PSD canta bem mas não alegra e sobretudo não convence ninguém”, acrescentando que “quando chegou à hora da verdade, nunca nenhum jovem pôde contar com PSD fosse para o que fosse”.

“A culpa é sempre do passado, os senhores que governam e viabilizam orçamentos há 5 anos , podem ter a capacidade entre os senhores de assumir as vossas responsabilidades em vez de recordar um período excecional da vida dos portugueses”, respondeu Alexandre Poço, aditando que “o PSD sempre reconheceu as dificuldades e o PS nunca soube reconhecer as suas”.

Inês Sousa Real, do PAN, disse que o partido não esquece “que o PSD quando foi governo mandou os jovens emigrar”, apontando que “falar dos direitos dos jovens e das medidas que estão em cima da mesa não pode ser apenas uma mera bandeira proclamatória”.

À direita, o deputado João Almeida, do CDS-PP, sustentou que “falar do Portugal das novas gerações é confrontar todo o modelo de governação que está estabelecido” e que “inibe a autodeterminação”, rematando que “o Estado paizinho não é o que os jovens precisam”.